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Desavenças sobre Síria pairam sobre cúpula do G20

Posted in Américas, Política & Política Externa by Emilia C. de Paula on 05/09/2013

BBC – 05/09/13.

Obama e Putin têm visões opostas sobre como reagir à crise no país árabe

Obama e Putin têm visões opostas sobre como reagir à crise no país árabe

O G20, grupo dos países com as maiores economias do mundo, cresceu no cenário pós-crise de 2008, em meio a tentativas de estimular a colaboração econômica global.

Mas na cúpula deste ano, iniciada nesta quinta-feira na Rússia, em vez de se unirem em torno de temas econômicos comuns, os participantes estão cada vez mais divididos sobre como o mundo deve responder aos acontecimentos na Síria.

Já na véspera do encontro iniciado nesta quinta-feira, os líderes de fato de dois polos opostos – os presidentes dos EUA e da Rússia – mostraram seus argumentos.

Barack Obama disse estar convencido de que o aparente ataque químico em Damasco, em 21 de agosto, foi obra do regime sírio e defendeu que o mundo – com ou sem o apoio da ONU – tem o dever de reagir para prevenir futuros ataques, para sustentar a Convenção Internacional sobre armas químicas e para impedir que o sistema de normas internacionais seja desmoralizado.

Já Vladimir Putin considerou “totalmente absurda” a ideia de que o presidente sírio Bashar al-Assad usaria armas químicas e arriscaria sofrer uma retaliação.

O presidente russo acrescentou que, a não ser que haja novas provas convincentes, obtidas de forma independente e validadas pela ONU, as acusações contra o regime Assad continuam sem fundamento.

Seu chanceler advertiu que qualquer retaliação militar americana feita sem o aval da ONU será uma “violação” das normas internacionais e terá “todos os atributos de uma agressão” – uma acusação bastante séria feita de uma nação a outra.

De que lado os países estarão?

A crise na Síria não está oficialmente na agenda do G20, então todos os debates sobre o tema serão informais.

Ainda assim, será reveladora a forma como cada país presente irá se alinhar ante as duas opiniões divergentes – e isso pode ter implicações sobre como a crise será enfrentada.

A China certamente se unirá à Rússia na oposição a uma intervenção militar americana, considerando que ambos países sempre vetaram, no Conselho de Segurança da ONU, iniciativas para tentar fazer pressão sobre Assad. Ambos também insistem que a solução para a Síria deve ser política.

As opiniões de Índia e Indonésia são mais difíceis de se identificar.

Mas a África do Sul já se posicionou contra a ideia de uma ação militar sem o aval da ONU, opinião compartilhada pela presidente argentina, Cristina Kirchner.

E Brasil e México têm pouca disposição em apoiar Obama, considerando que ambos manifestaram seus descontentamento após denúncias de que os governos de Dilma Rousseff e Enrique Peña Nieto teriam sido espionados pela inteligência americana.

Apoios

Por enquanto, Obama tem o apoio explícito do presidente francês, François Hollande, e do premiê britânico, David Cameron – no entanto, neste caso, o apoio é apenas diplomático, já que o Parlamento britânico rejeitou que o país participe de uma eventual ação militar.

A Turquia, por sua vez, há tempos defende uma intervenção na Síria, enquanto a Arábia Saudita é parte da coalizão do Golfo Pérsico que apoia os rebeldes sírios.

Outros aliados incluem Canadá, Austrália, Coreia do Sul e Japão, além de Alemanha e outros líderes da União Europeia. Mas há nuances em suas opiniões quanto a alvejar a Síria mesmo sem aval da ONU. A Itália, por exemplo, já citou objeções a isso.

E mais: na mesa de discussões do G20 também estará o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que no início da semana disse que o uso da força contra um país só pode ser legalmente justificável se em defesa própria ou com a aprovação do Conselho de Segurança.

Obama talvez precise de suas habilidades retóricas para contra-argumentar e para angariar mais apoio externo à sua convicção de que este é um momento de responsabilidade global com significado histórico, que, segundo o presidente americano, deve superar a paralisia e indecisão internacional dos últimos anos.

Disponível em:

 http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/09/130904_russia_eua_siria_g20_pai.shtml

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