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Volkswagen completa 60 anos de atividades no Brasil

Posted in Memória - Hoje na História by Emilia C. de Paula on 24/03/2013

0,,16648358_303,00Seis décadas após ter se instalado no país, a VW do Brasil se tornou uma peça fundamental da estratégia do Grupo Volkswagen de se tornar o maior fabricante de veículos do mundo em 2018.

A história da Volkswagen no Brasil já começou com um grande sucesso: os 30 primeiros Fuscas que chegaram ao porto de Santos, em setembro de 1950, logo foram comercializados – e pelo triplo do preço de avaliação. O modelo importado era o “Brezel” ou “Split Window”, com vidro traseiro dividido.

 

Três anos mais tarde, em 23 de março de 1953, a Volkswagen do Brasil se instalava, com apenas 12 funcionários, num pequeno armazém alugado no bairro do Ipiranga, em São Paulo. Dali saíram, de 1953 a 1957, os primeiros Fuscas e Kombis com peças importadas da Alemanha, que foram aos poucos substituídas por componentes nacionais.

Após 60 anos de atividades no país, a marca já produziu mais de 20 milhões de veículos no Brasil e não deixa de colecionar superlativos: maior fabricante de veículos do país, maior exportadora do setor automotivo, sendo também a marca de veículos mais lembrada pelo público em geral.

Segundo a VW do Brasil, no entanto, a sua história no país teve início já em 1949, quando pesquisas realizadas no mercado latino-americano apontaram o Brasil como “local mais adequado para receber a primeira fábrica da marca fora da Alemanha.”

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nauguração oficial da Volkswagen com a presença do então presidente Juscelino Kubitschek

Política de nacionalização

Desde a década de 1920, a importação de automóveis era uma rotina bastante conhecida. Em 1919, a Ford do Brasil iniciou a montagem do Ford “T” em São Paulo. Em 1925, a General Motors passou a fazer o mesmo. No início da Segunda Guerra Mundial, segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Detran), o Brasil possuía ao todo cerca de 250 mil veículos – entre importados e montados no Brasil.

Mas, durante a guerra, esses automóveis ficaram sem peças de reposição. Entre 1939 a 1945, surgiram então pequenas oficinas que, aos poucos, se transformaram em fábricas. No fim da guerra, o Brasil já possuía um modesto parque industrial de autopeças.

Mas quando a importação foi normalizada, no início da década de 1950, a fome por veículos passou a ser uma ameaça à balança comercial do país. Nos primeiros anos da década de 1950, o país importava 100 mil veículos por ano, além das autopeças.

Em 1951, de acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a importação de veículos representava 15,1% dos 1,1 bilhão de dólares que o país gastava no mercado externo.

Foi aí que a ideia de montar um parque industrial automobilístico brasileiro tornou-se mais concreta. Seguindo a política de nacionalização, o então presidente Getúlio Vargas limitou a importação de autopeças em agosto de 1952. Em março do ano seguinte, foi proibida a entrada de veículos inteiros.

Fábrica da VW em São Bernardo do Campo possui área total de 1,2 milhão de metros quadrados

Fábrica da VW em São Bernardo do Campo possui área total de 1,2 milhão de metros quadrados

Primeira fábrica

O dia 16 de junho de 1956 é considerado um marco da indústria automotiva nacional. Nesse dia, o governo brasileiro criou o Grupo Executivo da Indústria Automobilística (Geia), que estabeleceu condições para instalar a indústria automobilística no Brasil e fixou a base do rápido desenvolvimento do setor. Naquele ano, foi instalada a Mercedes-Benz do Brasil e a fabricante Vermag produziu a primeira camioneta DKW. A VW decidiu então construir uma primeira fábrica na rodovia Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP) – a primeira unidade da VW fora da Alemanha.

Em 2 de setembro de 1957, saía desta linha de produção o primeiro veículo produzido pela marca no Brasil: a Kombi, com 50% dos seus componentes já fabricados no país.

Em 1959, o então presidente Juscelino Kubitschek assistiu ao lançamento do primeiro Fusca nacional, passeando pela fábrica de São Bernardo a bordo de um Fusca conversível. O carismático Fusquinha viria a se tornar o primeiro automóvel de baixo custo, responsável pela motorização de milhões de brasileiros.

Fusca de 1995: modelo não pôde mais competir com outras marcas

Fusca de 1995: modelo não pôde mais competir com outras marcas

Fusca e Kombi

O Fusca foi um dos modelos da Volkswagen de maior sucesso. Foram mais de três milhões de unidades produzidas no país. O modelo conquistou a preferência do consumidor brasileiro e ganhou até uma data comemorativa: o dia 20 de janeiro foi instituído como dia nacional do Fusca. No Brasil, o Fusca foi construído até 1986.

Em 1993, para incentivar a fabricação de carros populares, o então presidente Itamar Franco reinaugurou a linha de montagem do Fusca em São Bernardo do Campo. No entanto, os tempos eram outros e o espartano Fusca não pôde mais concorrer com modelos de outras marcas surgidas na década de 1990, com preços semelhantes e acabamento e espaço interno melhores que os do Fusca. Em 1996, a sua produção foi definitivamente encerrada no Brasil.

O ano de 2013 deverá também trazer o encerramento da produção de outro grande caso de sucesso e longevidade da indústria automotiva nacional: por não atender ao cumprimento de normas de segurança (freios ABS, airbags, crash-tests), a produção da Kombi será encerrada no Brasil no final deste ano, informou o presidente da VW do Brasil, Thomas Schmall.

Passados mais de 55 anos, a Kombi – do alemão Kombinationsfahrzeug (veículo combinado) – é a versão brasileira do VW Bus T2. Em 2011, a Kombi atingiu o marco de 1,5 milhão de unidades fabricadas no Brasil. A Volkswagen, no entanto, pretende modernizar sua frota. E o atual modelo brasileiro se baseia na segunda geração de VW Bus, produzida na Alemanha entre 1967 e 1979.

Kombi foi o primeiro automóvel da VW produzido no Brasil

Kombi foi o primeiro automóvel da VW produzido no Brasil

Modelos de sucesso

Lançado em 1980, o Gol é o modelo de maior sucesso da marca no Brasil, com 7 milhões de unidades produzidas e com 26 anos consecutivos na liderança de vendas do mercado brasileiro, informou a VW. Entre os modelos de maior volume de produção na trajetória da marca no Brasil, está também o Fusca, que até 1986 atingiu 3,3 milhões de unidades fabricadas e vendidas no país. Na década de 1970, a Brasília também foi um modelo de grande sucesso, alcançando cerca de 950 mil unidades produzidas nos nove anos em que esteve no mercado.

Ao longo de sua história no Brasil, a Volkswagen projetou e desenvolveu uma série de modelos nacionais de grande sucesso, como o Gol, o Fox, a Variant, o Karmann Ghia e o esportivo SP2. No entanto, o primeiro veículo totalmente projetado e desenvolvido pela VW no Brasil foi a Brasília, lançada em 1973.

Entre os modelos exportados, uma curiosidade é o Passat, que até hoje é visto nas ruas do Iraque. Um total de 170 mil veículos foram exportados entre 1983 e 1988. Conhecidos no Iraque como “Brazili”, os veículos traziam no vidro traseiro os dizeres Made in Brazil. Os carros eram oferecidos como prêmio aos combatentes da guerra contra o Irã e foram pagos com petróleo.

Clássicos modelos de sucesso da Volkswagen do Brasil

Clássicos modelos de sucesso da Volkswagen do Brasil

Recordes, inflação e Autolatina

Segundo a Volkswagen do Brasil, suas exportações começaram em 1970 para países da América do Sul e México. No mesmo ano, a empresa atingia os primeiros recordes de produção e vendas, alcançando o primeiro milhão de veículos vendidos. Em março de 1972, o Fusca completava o primeiro milhão de unidades vendidas no país. E, em 1976, a VW inaugurava em Taubaté (SP) a sua segunda fábrica no Brasil, responsável pela produção dos modelos Gol e Voyage.

No final da década de 1980, com o parque automobilístico brasileiro consolidado, a Volkswagen iniciou a produção da série que se tornaria o maior sucesso de vendas da indústria, dando origem aos modelos Gol, Parati, Saveiro, Voyage e Fox.

No final dos anos 1980, a economia brasileira estava assolada pela inflação e pela estagnação. Entre 1987 e 1993, a inflação anual pulou de 416% para 2.709%. Na tentativa de reduzir custos e obter um melhor aproveitamento dos recursos disponíveis, a Volkswagen do Brasil juntou-se à Ford para formar a Autolatina. Com a abertura da economia e o aquecimento do mercado interno, em 1994, as duas marcas decidiram separar as operações.

Em 1996, a fábrica de motores da Volkswagen do Brasil iniciou suas atividades em São Carlos (SP) e, em janeiro de 1999, a marca inaugurava sua quarta fábrica no Brasil, em São José dos Pinhais, no Paraná. Com um total de 24 mil empregados em suas quatro fábricas no país, a Volkswagen do Brasil é uma das maiores empregadoras da indústria automotiva brasileira.

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Em 2003, a Volkswagen inovou ao introduzir a tecnologia Total Flex

Ao longo de sua história, a Volkswagen do Brasil foi responsável também por importantes inovações tecnológicas. Em 2003, ao completar 50 anos no país, foi a primeira a lançar a tecnologia Total Flex, que permite o uso de etanol, um combustível renovável, e/ou gasolina em qualquer proporção. A tecnologia marcou uma mudança de paradigma na indústria automobilística brasileira, diz a empresa.

Estratégia 2018 e sustentabilidade

Desde então, a VW continuou sua trajetória de sucesso com um total de mais de 20 milhões de veículos produzidos no Brasil. A empresa também é líder em exportações, tendo vendido mais de 3 milhões de veículos para 147 países. Tudo isso faz da Volkswagen do Brasil “uma peça fundamental da Estratégia 2018” – estratégia da empresa alemã de se tornar a montadora número 1 do mundo em 2018 –, como afirmou o presidente da Volkswagen, Martin Winterkorn, na abertura do Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro do ano passado.

Após a China, o Brasil é o maior mercado de carros da Volkswagen. Em apenas cinco anos, as vendas da empresa aumentaram 40% no país, contrabalançando a queda de vendas na Europa em crise. Segundo o responsável pelo setor de produção do Grupo, Michael Macht, até 2018, o mercado automotivo brasileiro deverá crescer 45%, chegando a 8 milhões de veículos vendidos anualmente.

Em 2012, a Volkswagen do Brasil alcançou o maior volume de vendas de sua história (768.395 unidades) e recorde no volume de produção anual, com 852.086 unidades, consolidando o posto de maior fabricante de veículos do país.

A VW pretende manter o ritmo de investimentos no país e informou que, até 2016, a empresa deverá investir R$ 8,7 bilhões em novos produtos e na ampliação da capacidade das fábricas brasileiras. Entre os investimentos, estão uma segunda Pequena Central Hidrelétrica (PCH), no estado de São Paulo.

Inaugurada em 2010, a PCH Anhanguera, primeira Pequena Central Hidrelétrica da Volkswagen do Brasil, recebeu no início de 2012 o Certificado de Emissões Reduzidas (CER), também conhecido como Créditos de Carbono, aprovado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Juntas, as duas usinas deverão suprir 40% da demanda energética das unidades da Volkswagen no Brasil.

Autor: Carlos Albuquerque

Revisão: Roselaine Wandscheer

Disponível em:

 http://www.dw.de/volkswagen-completa-60-anos-de-atividades-no-brasil/a-16648168

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