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Ecoturismo contribui para preservação da vida selvagem na Namíbia

Posted in África, Meio-Ambiente by Emilia C. de Paula on 20/02/2013

Namíbia – DW – 19/02/13.

0,,15773882_303,00Milhares de turistas chegam ao país para conhecer as belezas naturais do deserto. O turismo sustentável é cada vez mais procurado. Ele estimula investimentos em energias renováveis e preservação da biodiversidade.

Logo quando o sol desponta, colorindo de vermelho intenso as famosas dunas do deserto do Namibe, os primeiros turistas já estão lá. Pois esse é um espetáculo natural que praticamente nenhum viajante quer perder. Arquejantes, eles sobem as dunas de mais de 300 metros de altura em torno do lago seco de Sossusvlei, ficam presos de vez em quando na areia que, segundo consta, tem mais de 3 milhões de anos. Chegando ao topo, podem apreciar o tamanho desse deserto: um mar de areia praticamente infinito, cortado por umas poucas estradas.

São experiências como essa que atraem turistas à Namíbia. O país do sudoeste africano é um destino de férias apreciado, sobretudo pelos alemães. Em geral, sem grandes barreiras linguísticas, pois a Namíbia foi colônia da Alemanha até 1915, e ainda hoje o idioma alemão é bastante difundido no país. A relativa estabilidade política e o pequeno risco de malária também contribuem para tornar a região turisticamente atraente.

Incentivo ecológico ao desenvolvimento

Por um lado, isso é positivo, já que muitos namibianos vivem do turismo. Por outro, é difícil conciliar o constante aumento do número de visitantes com a proteção ambiental, que está ancorada na Constituição do país. Quase 1 milhão de turistas visitam a Namíbia por ano, enquanto a população do país é de apenas 2 milhões.

Os visitantes consomem água – cara e sempre escassa –, além de eletricidade adicional. Isso, quando a Namíbia já é dependente da energia importada da vizinha África o Sul. Em épocas de grande consumo, o volume de importação chega a 80% do total consumido no país.

O ecoturismo pode ser uma solução, uma forma de viajar que leva em consideração a proteção do meio ambiente e da natureza. Esse aspecto influencia cada vez mais a escolha do destino das férias. Segundo uma pesquisa da WWF, 25% atentam para os padrões ambientais, ao programar suas viagens.

Pouco incentivo do governo

Todos os dias o sul-africano Andrew Gillies confirma que muitos já viajam com essa consciência. Sua empresa, a Eco Lodgistix, se dedica ao ecoturismo e opera cinco pousadas na Namíbia. A central é a DesertHomestead Lodge, a poucos quilômetros das dunas do Sossusvlei.

Os quartos da pousada são aquecidos, refrigerados e iluminados à base de energia solar. “A fórmula não é nova, mas muitos turistas querem saber como trabalhamos nas lodges, e de onde vem a energia consumida aqui”, conta Gillies. Entretanto, a produção de eletricidade através de tecnologias ecológicas é custosa. “O governo não fornece qualquer apoio financeiro à construção de painéis solares, e primeiro temos que investir muito em sua aquisição.” Sem as rendas do turismo, esses investimentos seriam impensáveis.

A União Europeia dá apoio à Eco Lodgistix e a sua assim chamada “pousada comunitária”, a Grotenberg Lodge, a sudoeste do Parque Nacional de Etosha. Esta pertence inteiramente à comunidade local – fato nada óbvio na Namíbia, onde muita terra continua nas mãos de uns poucos latifundiários, em geral, brancos.

Convívio entre natureza e civilização

Agora, os nativos podem se beneficiar do turismo, o que para muitos é um estímulo para abandonarem a caça como fonte de renda. Dessa maneira, natureza e vida selvagem podem se desenvolver sem empecilhos. “Nós procuramos reduzir os conflitos entre animais e seres humanos, e promover um convívio pacífico”, diz Gillies.

A proposta dos organizadores dos Wilderness Safaris é semelhante. “Nós nos vemos como operadoras de safáris e protetores do meio ambiente, ao mesmo tempo”, explica Helen Daffner. A empresa foi fundada em 1983 e possuiu acampamentos ecológicos na Namíbia.

Estes são abastecidos com a energia do sol do deserto, a água da chuva é usada nos sanitários. Uma parte da renda gerada é investida em programas de proteção ambiental, como o Save the Rhino Trust, um fundo com o objetivo de proteger os rinocerontes do deserto. A iniciativa é elogiada pela WWF, entre outros.

Propaganda é preciso

Muitos outros hotéis e operadoras de safáris também se engajam pela sustentabilidade. “O turismo na Namíbia é muito caracterizado pelo pensamento ecológico”, diz Wolfgang Strasdas, professor de Turismo Sustentável na Faculdade de Eberswalde. “A população local sabe que paisagem e animais são recursos turísticos”, completa.

Strasdas pesquisa atualmente na Namíbia, e fica feliz por ver painéis fotovoltaicos nos hotéis, em vez dos usuais geradores a diesel. Ele acredita que o turismo pode ajudar a promover as tecnologias ecológicas de produção de energia.

Existem muitas possibilidades para tal: muitos hotéis e pousadas já são certificados segundo padrões ambientais. Agora, as agências de turismo precisam divulgar mais o ecoturismo. “O setor turístico falhou completamente na comunicação sobre ofertas sustentáveis”, critica Strasdas. No momento, só há uma solução: os turistas devem procurar especificamente por esse tipo de ofertas.

Autora: Anja Koch (cn)

Revisão: Augusto Valente

Disponível em:

http://www.dw.de/ecoturismo-contribui-para-preserva%C3%A7%C3%A3o-da-vida-selvagem-na-nam%C3%ADbia/a-16385186

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