Clipping de Relações Internacionais

China lidera fusões e aquisições no Brasil

Posted in Américas, Economia, Comércio & Finanças, Regiões by Rodrigo Felismino on 19/12/2012

Valor Econômico – 19/12/2012

Investidores chineses se tornaram, no pós-crise, os que mais participaram de fusões e aquisições de empresas no Brasil. Entre 2009 e outubro de 2012, segundo levantamento do banco Credit Suisse, responderam por 17% dessas operações, totalizando negócios de US$ 19,3 bilhões. Tradicionais investidores no país, os americanos ficaram em segundo lugar no mesmo período – 14,6% de peso, com US$ 16,5 bilhões.

O terceiro maior comprador de companhias brasileiras, nos últimos três anos, foram os espanhóis, com 10,9% do total e US$ 12,3 bilhões (ver tabela). Somando as participações de China, Estados Unidos e Espanha, chega-se a US$ 48 bilhões entre 2009 e 2012, o equivalente a 42% do total. A novidade em relação ao triênio anterior (2006-2008) é a China, que sequer aparecia na lista dos 18 maiores participantes desse tipo de operação no país.

“A participação da China nas operações era muito baixa até 2009”, atesta o economista-chefe do Credit Suisse, Nilson Teixeira. Ele chama atenção para o fato de que, nos últimos anos, essa forma de investimento estrangeiro direto (IED) aumentou de forma significativa no Brasil. “As fusões e aquisições responderam por 56% do influxo de IED como participação de capital, de US$ 202 bilhões, entre 2009 e 2012”, informa.

Investimento estrangeiro mostra confiança no país

O movimento reflete as prioridades dos investidores no mundo pós-crise. A China está começando a mudar sua estratégia de desenvolvimento, antes baseada quase que inteiramente no modelo liderado por exportações. Agora, o plano é crescer com base no mercado interno, como já fazem, por exemplo, EUA e Brasil.

A China, como se sabe, precisa importar energia para sustentar o crescimento. Isso explica por que, ao comprar empresas brasileiras, os chineses têm optado pelos setores petrolífero (79% do total entre 2009 e outubro de 2012), de energia (10%) e metalurgia (10%). Os investimentos dos EUA, país que também passa por uma transformação produtiva, são mais diversificados.

Dos US$ 16,5 bilhões investidos por americanos em fusões e aquisições no Brasil no período analisado, 22% foram para os setores de seguros, previdência complementar e planos de saúde. O restante está distribuído nos segmentos de energia (16%) e comércio (6%), petrolífero (13%), alimentício (8%), farmoquímico (4%), financeiro (6%) e outros (25%).

A exemplo dos chineses, os espanhóis estão concentrando os investimentos em poucos setores – de telecomunicação (93%), energia (2%), financeiro (1%) e outros (5%).

Os dados de IED aparentemente destoam das informações de investimento em geral da economia brasileira. A Formação Bruta de Capital Fixo, indicador que reflete as compras de bens de capital (máquinas e equipamentos) e os gastos com construção, está em queda desde o terceiro trimestre de 2010 e, em terreno negativo, desde o primeiro trimestre deste ano. Já os volumes de IED têm batido recordes nos anos recentes.

No ano passado, o Brasil recebeu US$ 66,7 bilhões de IED, tornando-se o 5º principal destino desse tipo de investimento. Os números mostram a confiança crescente do investidor de longo prazo no país. Em 2006, o Brasil foi apenas o 21º receptor de IED, com participação de 1,3% no total. De lá para cá, o país subiu várias posições no ranking mundial e, em 2011, recebeu 4,4% do total.

Ontem, o Banco Central (BC) informou que, neste ano, o volume total de IED deve chegar a US$ 63 bilhões, número um pouco inferior ao do ano anterior. De qualquer forma, o BC projeta investimento de US$ 65 bilhões para 2013, valor inferior ao da projeção da equipe do Credit Suisse, que aposta em US$ 70 bilhões no próximo ano.

É verdade que a forte desvalorização do real frente ao dólar, desde setembro de 2011, criou boas oportunidades de negócios para empresas estrangeiras no Brasil. Isso não invalida, entretanto, o fato de que esses investidores, que colocam seu dinheiro no setor produtivo, estão mais otimistas quanto às perspectivas de médio e longo prazo do país que os empresários nacionais.

Os números mostram que o IED tem se concentrado nos setores associados ao mercado doméstico (produtos alimentícios e bebidas, comércio, seguros, previdência e planos de saúde e serviços financeiros) e às commodities (metalurgia, petróleo e gás natural). Em 2012, até outubro, o setor de produtos alimentícios e bebidas foi o que mais recebeu recursos – US$ 6,7 bilhões, 9,9% do total -, seguido pelo de metalurgia (US$ 6,5 bilhões e 9,6%, respectivamente).

Um dado que talvez retrate bem a realidade produtiva brasileira neste momento é o que revela que os investimentos estrangeiros na indústria de transformação estão em queda, em termos relativos – de 47% para 41% do total entre 2011 e 2012. Na contramão, o setor de serviços está se tornando o principal receptor de IED. Sua participação saltou de 19% em 2010 para 46% em 2012.

Cristiano Romero é editor-executivo e escreve às quartas-feiras

Disponível em: http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/12/19/china-lidera-fusoes-e-aquisicoes-no-brasil. Acesso em: 19/12/2012.

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