Clipping de Relações Internacionais

Chefe do Eurogrupo pede urgência na ajuda à Grécia

Posted in Economia, Comércio & Finanças, Europa, Organizações Internacionais & Regionais by Emilia C. de Paula on 27/11/2012

Europa – DW  – 25/11/12.

Chefe Jean-Claude Juncker demonstra que sua paciência está chegando ao fim: países do Eurogrupo precisam “chegar aos finalmentes” no pagamento da nova parcela para Atenas. Enquanto isso, gregos se sentem injustiçados.

Após o fiasco da cúpula para o planejamento orçamentário da União Europeia, uma parte do bloco terá nesta segunda-feira (26/11) a chance de demonstrar sua capacidade de ação. Trata-se do Eurogrupo: sob a presidência de Jean-Claude Juncker, os ministros das finanças dos 17 países-membros tentarão pela terceira vez decidir sobre o pagamento da próxima parcela do pacote de ajuda à Grécia.

Antecipando o encontro em Bruxelas, o também primeiro-ministro de Luxemburgo deixou claro que sua paciência tem limites. “Sou da opinião que na segunda-feira nós devemos chegar aos finalmentes”.

No sábado, Juncker realizara uma conferência telefônica com os 17 chefes de pasta, como preparativo para o encontro, sem que fosse oficialmente divulgado qualquer resultado. Durante a cúpula da UE, ele já interpelara isoladamente alguns chefes de Estado e governo, para explicitar quão urgente é uma solução para o país em crise e praticamente insolvente.

“Tive uma boa conversa de trabalho com meu bom amigo Antonis Samaras [premiê grego], e conversei ainda mais longamente sobre a Grécia com a chanceler federal [alemã] Angela Merkel e outros chefes de governo”, declarou Juncker ao fim da conferência.

Súbito,14 bilhões a mais

Na última segunda-feira, os 17 países da União Monetária e a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, haviam fracassado nas negociações para financiamento do plano de ajuda para Atenas.

O problema é que, para subsistir, o país não necessita apenas dos 31 bilhões de euros planejados para a próxima parcela, mas sim de 45 bilhões de euros. Devido à grave recessão, os gregos disporão de mais dois anos para alcançar um nível de endividamento admissível, e essa prorrogação custará mais 14 bilhões de euros ao Eurogrupo e ao FMI.

O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, recusa-se a apresentar um programa de ajuda complementar para a Grécia e fazê-lo aprovar pelo Bundestag, a câmara baixa do Parlamento em Berlim. Assim, os peritos do Eurogrupo estão pesquisando outras fontes de financiamento.

Alternativas questionáveis

A palheta de alternativas vai desde a redução dos juros para créditos em curso até a recompra de antigos títulos de dívidas gregas nos mercados de finanças, passando pela renúncia total a juros por parte do Banco Central Europeu (BCE).

No entanto, observadores do Eurogrupo questionam se com tais medidas será possível reunir os necessários 14 bilhões de euros. Outra possibilidade seria escalonar a nova parcela do pacote grego, liberando-a em quantias menores, e ir resolvendo pouco a pouco a questão do financiamento.

A ideia de comprar de volta as dívidas gregas a baixos preços nos mercados de finanças já ameaça fracassar como alternativa, pois a cotação desses títulos vem subindo, segundo fontes do Eurogrupo. Corretores dos mercados informam que grandes fundos hedge estariam adquirindo esses papéis em massa, vislumbrando lucros com a recompra.

“Grécia cumpriu seu dever” – tarde demais?

A hesitação do Eurogrupo enfurece o premiê grego Samaras. Durante a cúpula da UE, ele declarou à imprensa com uma expressão séria, quase irritada: “Cumprimos nosso dever. Agora está na hora de nossos parceiros europeus e o Fundo Monetário Internacional cumprirem o dever deles”:

De fato, a troica composta pela Comissão Europeia, Banco Central Europeu (BCE) e FMI registrou que a Grécia já haveria imposto as necessárias e rigorosas reformas e programas de austeridade.

Porém a troica também aponta que o país está atrasado no cronograma para a implementação das medidas – sendo este um dos motivos para a necessidade de mais dois anos até que a carga de débito grego seja reduzida a 120% do PIB, como exigido. Além disso, a recessão se apresenta mais grave do que se pensava.

Por outro lado, segundo informações não confirmadas de círculos do Eurogrupo, a chefe do FMI, Christine Lagarde, teria suspenso sua resistência contra o relaxamento do cronograma para a Grécia.

Assim, o fundo internacional estaria disposto a aceitar para 2020 um endividamento de 124% do PIB, em vez dos 120% exigidos. No momento, as dívidas gregas somam 170% do Produto Interno Bruto e espera-se que cresçam no próximo ano, devido à renitente recessão.

“Que não se esperem milagres”

Falando à emissora alemã SWR, o ex-presidente do Deutsche Bank Josef Ackermann insistiu ser necessário um segundo corte parcial das dívidas gregas. “O momento certo será agora, ou só no fim do processo? Do ponto de vista econômico isso não é relevante, mas antes uma questão política”, observou o banqueiro suíço.

Diversos Estados-membros do Eurogrupo rechaçam tal proposta, da mesma forma que o BCE, pois, na qualidade de – eles mesmos – credores da Grécia, um corte lhes traria enormes prejuízos.

Em março de 2012, credores privados como bancos, grandes investidores e seguradoras abriram mão de parte de suas exigências em relação a Atenas. Agora, Ackermann tem como certo o corte parcial por parte dos credores públicos. “Alguma hora ele terá que vir, não consigo imaginar que a Grécia sairá por seus próprios meios dessa situação de miséria, os impulsos de crescimento são simplesmente fracos demais.”

O país precisa fazer mais e colaborar mais intensamente com o empresariado, aconselha Josef Ackermann. “É claro que é também necessário que se torne mais atraente investir na Grécia. Isso implica também reformas de cunho estrutural. Mas, por outro lado, não se podem esperar milagres, lá.”

Autoria: Bernd Riegert (av)

Revisão: Carlos Albuquerque

Disponível em:

 http://www.dw.de/chefe-do-eurogrupo-pede-urg%C3%AAncia-na-ajuda-%C3%A0-gr%C3%A9cia/a-16404825

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