Clipping de Relações Internacionais

Entenda o que está em jogo na transição de poder na China

Posted in Ásia & Oceania, Sistemas Políticos by Emilia C. de Paula on 03/11/2012

China – BBC – 03/11/12.

O Partido Comunista Chinês, que governa a China em regime de legenda única, inicia na próxima quinta-feira um importante congresso no qual deverão ser anunciadas mudanças em sua liderança. Analistas preveem que essas alterações tenham um impacto profundo sobre o futuro do país.

A China é hoje a segunda maior economia do planeta e desempenha um papel cada vez mais importante no cenário internacional. Como resultado, a reunião será acompanhada atentamente em todo o mundo.

A BBC fez um apanhado dos temas mais importantes que serão debatidos. Confira.

O que é o Congresso do Partido Comunista?

 

O Congresso do Partido Comunista Chinês é realizado a cada cinco anos e é uma plataforma para o anúncio de novas políticas e mudanças na liderança do PC, que governa o país desde 1949.

Mais de 2.200 delegados de toda a China se reunirão em Pequim para participar do evento, que começa no dia 8 de novembro.

O congresso será uma exibição cuidadosamente coreografada de poder e unidade, mas a maior parte dos eventos ocorrerá atrás de portas fechadas.

Muitas das decisões – senão todas – serão tomadas a partir de acordos entre os líderes mais importantes antes do início do evento.

Não se sabe quantos dias de duração o congresso terá, mas os mais recentes tiveram cerca de sete dias.

Por que este congresso é importante?

O congresso desse ano é particularmente importante porque anunciará e endossará mudanças na liderança do partido que só acontecem uma vez a cada dez anos.

O partido estabelece limites rigorosos de idade para seus líderes e sete dos atuais nove membros do poderoso Comitê Permanente do Politburo – a mais alta instância de poder na China – devem deixar seus cargos. Entre eles, o presidente Hu Jintao – chefe do partido e o Chefe de Estado da China – e o premiê Wen Jiabao, que é como um primeiro-ministro, encarregado de governar.

Imediatamente após o final do congresso, uma nova liderança será anunciada aos jornalistas reunidos. Um a um, os líderes sairão do recinto em ordem de importância.

A nova liderança vai governar a China pelos próximos dez anos.

Quem serão os novos líderes da China?

A expectativa é de que, após o congresso, o vice-presidente Xi Jinping substitua Hu Jintao como secretário-geral do partido e torne-se presidente de Estado no início do ano que vem.

Ele pertence a um grupo seleto de altos oficiais do partido que são descendentes de ex-grandes líderes.

O vice-primeiro-ministro Li Keqiang, um aliado importante de Hu, deve substituir Wen Jiabao como primeiro-ministro.

Tem havido muita especulação em relação a quem seriam os outros membros do Comitê Permanente do Politburo. Analistas estudarão a lista final cuidadosamente em busca de pistas sobre a futura direção a ser tomada pela China.

Há vários relatos de que o Comitê Permanente do Politburo será encolhido, de nove para sete membros, como uma tentativa de simplificar o processo de tomada de decisões.

Como são selecionados os novos líderes?

Em teoria, o congresso do partido elege membros do Comitê Central que, por sua vez, elegem o Politburo – incluindo o Comitê Permanente.

Na prática, no entanto, o processo tem sido de cima para baixo e não de baixo para cima, e o congresso é na realidade um carimbo para as decisões dos líderes no topo.

Antigamente, quando o partido era comandado por Mao Tsé-Tung – o líder revolucionário mais reverenciado pelo PC chinês – e Deng Xiaoping, a própria cúpula indicava seus sucessores.

Terminada a era dos líderes todo-poderosos, a seleção de sucessores tornou-se um processo obscuro, marcado por intrigas e toma-lá-dá-cás entre várias facções do partido e grupos de interesses diversos.

Embora muitos acreditassem que Li Keqiang fosse o candidato favorito de Hu Jintao, Xi Jinping emergiu no topo porque era uma opção aceitável para todas as facções do partido.

Qual é a diferença em relação aos novos líderes?

Os defensores de reformas estão pedindo à nova liderança que faça mudanças urgentes para impedir que problemas econômicos e sociais gerem uma crise que enfraqueça o poder do PC chinês.

Em particular, eles advertem que, sem reforma política, há riscos de que os poderes ilimitados do Estado sufoquem o crescimento do país e exacerbem o descontentamento popular.

Segundo relatos recentes, Xi – o suposto futuro líder – disse ter ouvido chamados para que ele escolha um caminho mais ousado.

Porém, quaisquer reformas mais radicais podem encontrar a oposição de poderosos grupos, incluindo as próprias facções do partido que escolheram os novos líderes.

O que acontece com os líderes que se aposentam?

Com frequência, líderes chineses aposentados continuam a exercer grande influência por trás dos bastidores.

Após Jiang Zemin ter deixado o posto de líder do partido em 2002, ele continuou a liderar a Comissão Militar Central por dois anos, estabelecendo um precedente que, dizem alguns, Hu Jintao pode agora tentar seguir.

Mesmo os membros idosos sem cargos oficiais podem continuar ativos, especialmente nos períodos que antecedem renovações na liderança.

Ambos Jiang e seu rival Li Ruihuan, um ex-líder próximo de Hu Jintao, teriam, segundo relatos, feito aparições públicas de forma a fortalecer suas próprias facções.

Com os anciãos do partido ainda no controle, os novos líderes podem ficar limitados em termos de sua atuação logo após assumir o cargo.

Qual é o grau de transparência do regime chinês?

A China iniciou seu processo de abertura para o mundo em 1978. Hoje, observadores internacionais sabem muito mais sobre o povo e a sociedade chineses do que em qualquer outro momento na história.

Entretanto, o sistema político na China continua obscuro e secreto.

Por exemplo, não se ouve falar de Xi Jinping há duas semanas. A poucos dias do congresso, circulam cada vez mais rumores pela internet, alimentados pelo silêncio das autoridades.

Um documento deverá ser cuidadosamente analisado por observadores em todo o mundo: o esperado “relatório político” de Hu Jintao, que deverá ser entregue no dia 8 de novembro.

Há expectativas de que o documento traga, em meio ao indecifrável jargão que caracteriza discursos políticos na China, pistas preciosas sobre o pensamento do atual PC chinês.

Disponível em:

 http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/11/121029_analise_china_mv.shtml

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