Clipping de Relações Internacionais

Passados 22 anos desde a reunificação, ajuda a estados do Leste gera polêmica

Posted in Memória - Hoje na História by Emilia C. de Paula on 03/10/2012

Desde o colapso da antiga Alemanha Oriental, estados do leste do país são financiados com bilhões de euros. Hoje, porém, cada vez mais cidades localizadas no lado ocidental necessitam de apoio financeiro.

Passados 22 anos desde a reunificação da Alemanha, a distância entre os estados do Leste e do Oeste voltou a aumentar. O Produto Interno Bruto (PIB) dos antigos estados orientais caiu 2% e corresponde, hoje, a 71% do PIB dos ocidentais. Diante de tais perspectivas, jovens abandonam suas cidades e deixam uma lacuna de mão de obra jovem no Leste, onde os salários são quase 25% abaixo do nível verificado no Oeste.

Mas regiões da parte ocidental, como a do Vale do rio Ruhr, também têm de lidar com as consequências das mudanças estruturais pós-reunificação. Há muito tempo se sabe que as linhas de financiamento precisam ser reorganizadas. Passada a euforia da reunificação, a realidade bate à porta.

Previsão equivocada

Errar é humano, e Erich Honecker, que governou a Alemanha Oriental entre 1976 e 1989, passou por tal experiência de maneira trágica em seu último ano no cargo. Em janeiro de 1989, os estados e o chefe de governo do Leste fizeram uma previsão que, dez meses mais tarde, se revelaria um grande engano.

Honecker preocupava-se com o futuro do Muro de Berlim. “Ele ainda vai existir dentro de 50 ou 100 anos, se os motivos para a sua existência não forem eliminados”, acreditava. Segundo seu ponto de vista dogmático distorcido, o capitalismo era nessa época o maior obstáculo para a queda do “muro de proteção antifascista”.

Na Alemanha reunificada, o capitalismo e a economia de mercado mostram-se como uma forma social resistente e compassiva. Para Honecker, se a economia de mercado não fosse mais eficiente do que a economia planificada, a antiga República Democrática Alemã (RDA), a Alemanha Oriental, ainda existiria.

23 de agosto de 1990

O trabalho de reorganizar um país dividido por quase 41 anos foi – e é – uma tarefa sem precedentes. E, por isso mesmo, erros foram e são cometidos. Mas o mais importante nesse processo é que a população da Alemanha Oriental se decidiu contra a opressão estatal e a favor da liberdade e da unificação.

A condição para isso foi a resolução da Câmara do Povo, em 23 de Agosto de 1990, sobre a “entrada da Alemanha Oriental no âmbito de aplicação da Constituição da República Federativa da Alemanha, de acordo com seu Artigo 23”.

O Dia da Unidade Alemã, 3 de Outubro de 1990, marcou também o auge de uma impressionante mudança. No último ano de sua existência, a RDA se tornou realmente uma república democrática alemã, o que nunca havia sido.

Pacto de Solidariedade

De acordo com uma premissa do ex-chanceler federal alemão Willy Brandt, o que junto pertence deve crescer junto politicamente, geograficamente e socialmente. Em um primeiro momento, a economia não era incluída.

A indústria do Leste não era competitiva no contexto internacional, havia empregados demais, a produtividade era baixa, e a qualidade dos produtos era inferior aos do Oeste. Cerca de 14 mil empresas estatais foram vendidas em poucos anos. A antiga Alemanha Oriental se encontrava em uma espécie de “liquidação de final de estação”.

Com o chamado Pacto de Solidariedade – um gigantesco programa de – cerca de 1,4 trilhão de euros foram injetados no Leste alemão entre 1990 e 2010, sendo que cerca de dois terços foram e são investidos em serviços sociais. O histórico contrato é válido até 2019 e, até lá, os recursos financeiros para o Leste serão reduzidos gradativamente.

Distribuição de recursos

Do ponto de vista do Leste alemão, o fato da esgotada economia socialista ter sido saneada com a ajuda do poder econômico da antiga Alemanha Ocidental foi um golpe de sorte. Já para os alemães do Oeste, a regulação do Pacto Solidário juntamente com a introdução de novos impostos foi algo natural. Mas, passados 21 anos desde a implementação do pacto, o financiamento do Leste enfrenta dificuldades de aceitação.

A distribuição desse suporte financeiro é particularmente polêmica. Há muito tempo, em algumas regiões do Oeste verificam-se sintomas parecidos com os dos novos estados orientais pós-reunificação: desaparecimento da indústria, alta taxa de desemprego, emigração e municípios endividados.

Pede-se cada vez mais por uma distribuição de recursos utilizando o critério de necessidade – principalmente nas velhas regiões industriais do Vale dos rios Ruhr e Reno. Até mesmo políticos do Leste alemão reconhecem o pedido do Oeste.

Papéis invertidos

Oberhausen, Gelsenkirchen e Wanne-Eickel, na porção ocidental do país, por exemplo, não estão em melhores condições do que alguns municípios do Leste. Por vezes, a situação chega a ser pior. Com isso, alguns prefeitos do Oeste não querem mais ter a obrigação de financiar o lado oriental. E o mesmo sentem cada vez mais alemães do lado ocidental, que vivenciam o fechamento de bibliotecas, piscinas públicas e repartições públicas.

Uma coisa é certa: a síndrome de ajuda enfraqueceu-se no Oeste e a posição de vítima da parte oriental da Alemanha é vista agora de forma crítica. Muitos municípios dos estados orientais da Saxônia e da Turíngia não precisam mais de subsídios e, em contrapartida, parte do norte da Alemanha e da região do Vale do rio Ruhr estão endividados há muito tempo.

O Pacto da Solidariedade em sua configuração atual será assunto após as eleições parlamentares de 2013 na Alemanha. Ao final das discussões, pode ser que seja criado um pacto de solidariedade para todos os estados alemães.

Autores: Marcel Fürstenau / Volker Wagener (fc)

Revisão: Luisa Frey

http://www.dw.de/dw/article/0,,16279687,00.html

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