Clipping de Relações Internacionais

Monti já fala em governar a Itália até 2013

Posted in Europa, Política & Política Externa by Nejme Joma on 14/11/2011

ROMA (Reuters)

Mario Monti, indicado para o cargo de premiê da Itália, disse nesta segunda-feira que o seu primeiro dia de discussões para a formação de um novo governo foi construtivo, e que o futuro gabinete terá condições de dirigir o país até a realização das próximas eleições, marcadas para 2013.

“É óbvio que o Parlamento pode decidir a qualquer momento que um governo não tem a sua confiança”, disse ele em entrevista coletiva. Mas acrescentou que não aceitará prazos adicionais para ficar no governo.
“Se uma data fosse marcada além desse horizonte temporal (das eleições regulares), essa pré-determinação iria retirar a credibilidade do governo”, afirmou.

A atual legislatura só termina em 2013, mas há rumores disseminados de que eleições serão convocadas assim que Monti conseguir aprovar as reformas econômicas prometidas à Europa.

O ex-comissário (ministro) da União Europeia se reuniu com representantes de pequenos partidos no primeiro dia de consultas para a formação de um gabinete que substitua o de Silvio Berlusconi. A tarefa básica do novo governo será reverter um desastroso colapso na confiança dos mercados em relação à Itália.

Na terça-feira, será a vez de Monti se reunir com os líderes dos dois maiores partidos de centro-esquerda e centro-direita, e também com representantes de sindicatos, de entidades femininas e de grupos juvenis.
O novo premiê se disse disposto a incluir políticos no gabinete, e não só tecnocratas, mas alertou que essa decisão caberá aos partidos.

A discussão do novo gabinete começou após um fim de semana frenético, em que o Parlamento aprovou um pacote econômico decidido em conjunto com líderes europeus, Berlusconi formalizou sua renúncia, e o presidente Giorgio Napolitano nomeou Monti, uma figura internacionalmente respeitada, para formar um novo governo.

“MUITOS SACRIFÍCIOS”

O parlamentar Francesco Nucara, que participou da reunião de segunda-feira, disse que Monti “falou sobre um programa significativo, com muitos sacrifícios”.
O presidente da Câmara dos Deputados, Gianfranco Fini, disse esperar que Monti se submeta até sexta-feira a um voto de confiança para confirmar o apoio ao novo governo.

Após uma semana tumultuada, em que o custo da dívida italiana subiu ao mesmo patamar que obrigou a Irlanda e a Grécia a pedirem socorro internacional, a reação inicial do mercado foi positiva nesta segunda-feira, com alta das bolsas e da cotação dos títulos.

Mas, num sinal de fragilidade dos mercados, a tendência foi revertida depois de um leilão de títulos com vencimento em cinco anos, que obrigou o Tesouro a pagar juros inéditos de 6,29 por cento, quase um ponto percentual acima do valor definido no leilão anterior, em outubro.

No começo da tarde, o “spread” (diferença) entre os títulos italianos e os papéis alemães que servem de referência para o mercado havia chegado a 482 pontos-base, salientando a ameaça que ainda pesa sobre Roma.

Napolitano pediu um extraordinário esforço nacional para apoiar Monti e reconquistar a confiança dos mercados internacionais, e lembrou que a Itália precisa refinanciar até o final de abril cerca de 200 bilhões de euros em títulos.

Mas, quando o impulso inicial da sua nomeação passar, Monti precisará enfrentar o grande desafio de navegar pelas águas traiçoeiras da política italiana, em meio a claros sinais de desconfiança que já começam a aparecer nas fileiras da centro-direita.

MEDIDAS IMPOPULARES

Adepto convicto do livre mercado, mas conhecido por confrontar grandes interesses empresariais durante uma década no cargo de comissário europeu da Concorrência, Monti deve apresentar um programa político compatível com as exigências feitas pelos parceiros europeus da Itália.

“É importantíssimo que este governo ganhe forma rapidamente e comece a trabalhar imediatamente em reformas fundamentais para retomar o crescimento e equilibrar o orçamento”, disse a jornalistas Emma Marcegaglia, presidente da entidade industrial Confindustria.

Monti tem falado repetidamente sobre seu apoio ao controle das finanças públicas e às políticas de livre mercado, o que inclui estimular a concorrência, abrir profissões protegidas e reduzir a carga fiscal sobre o emprego.

Mas impor reformas dolorosas, como a elevação da idade para certas aposentadorias e a redução das proteções trabalhistas, equivalerá a um teste para o apoio parlamentar e popular a um governo que não saiu das urnas.
Outras medidas possíveis, como a imposição de um imposto sobre propriedades (inclusive para quem tiver um só imóvel), também podem enfrentar resistência da direita.

Dirigentes da União Europeia e a chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, saudaram a perspectiva de estabilização da Itália, e Merkel disse que a aprovação parlamentar de um pacote de reformas no sábado foi “animadora”.
A União Europeia vai continuar monitorando as medidas tomadas por Roma, e Monti precisará assegurar o apoio de Merkel e do presidente da França, Nicolas Sarkozy, que não escondiam sua irritação com Berlusconi por descumprir repetidamente suas promessas de promover reformas.

(Reportagem adicional de Steve Scherer)

Disponível em:http://br.noticias.yahoo.com/monti-da-it%C3%A1lia-diz-que-quer-governar-at%C3%A9-193522410.html;_ylt=AtKiOUvw7AJSxsABJNcTULUKs8B_;_ylu=X3oDMTNxdmFqZmlwBG1pdANUb3BTdG9yeSBNdW5kb1NGBHBrZwM3MTZlOWNmOC1mNTExLTM5YmQtOThkZi0zMTc3NGU5Y2Q2YWEEcG9zAzIEc2VjA3RvcF9zdG9yeQR2ZXIDNGU4MzU2YzAtMGYwYy0xMWUxLWJmZjktMzU1ZWE4Y2I1ZDA2;_ylg=X3oDMTFqdGZqcjJiBGludGwDYnIEbGFuZwNwdC1icgRwc3RhaWQDBHBzdGNhdANtdW5kbwRwdANzZWN0aW9ucw–;_ylv=3

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