Clipping de Relações Internacionais

Sudão do Sul é o mais novo Estado da ONU

Posted in África, Organizações Internacionais & Regionais, Regiões by gleika on 14/07/2011

Sudão do Sul – AFP – 14/07/2011

Menos de uma semana após a sua independência, o Sudão do Sul tornou-se nesta quinta-feira o 193º Estado membro das Nações Unidas, mas o jovem país, onde tudo precisa ser construído, está entre as nações mais pobres do mundo mesmo com suas riquezas em petróleo.

“Declaro o Sudão do Sul membro das Nações Unidas”, proclamou Joseph Deiss, presidente da Assembleia Geral, após um voto por aclamação.

“Seja bem-vindo Sudão do Sul! Seja bem-vindo à comunidade das nações!” lançou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. “Todos aqueles que sofreram com a longa guerra civil. Todos aqueles que perderam tantos entes queridos. Todos aqueles que deixaram suas casas e fugiram de suas comunidades, todos aqueles que mantiveram a esperança, vivem hoje um momento histórico”.

No sábado, o Sudão do Sul declarou sua independência diante de dezenas de milhares de cidadãos e de diversos líderes estrangeiros após quase 50 anos de guerra com o Sudão e milhões de mortes.

Quanto às relações entre o Norte e o Sul, Ban Ki-moon ressaltou ainda que “o bem-estar e a prosperidade de cada um depende do outro. O Sul e o Norte compartilham um destino comum. Eles devem ter como meta um futuro como parceiros, e não como rivais”, disse.

A comunidade internacional, os Estados Unidos, a China, a Rússia e a União Europeia rapidamente reconheceram este novo país africano, que nasce como um dos mais pobres do mundo, apesar de suas vastas reservas petrolíferas, e assegurou o seu apoio.

A ONU vai investir pesadamente neste país para contribuir com a construção de infraestruturas inexistentes.

Para isso, o Conselho de Segurança aprovou o envio de 7.000 capacetes azuis que receberão o apoio de 3.700 civis e de 3.000 pessoas do Escritório de Coordenação de Relações Humanitárias da ONU (OCHA) e do Programa da ONU para o Desenvolvimento (PNUD), segundo um diplomata da organização internacional.

“Não há nada, não há ministério, algumas dezenas de quilômetros de estradas asfaltadas. Tudo ainda deve ser feito. É preciso criar as estruturas de um Estado quase que a partir do zero”, ressaltou esse diplomata.

Essa será a tarefa da ONU e de sua missão, a Minuss, Missão das Nações Unidas na República do Sudão do Sul, auxiliada por especialistas e técnicos vindos do exterior, de países em desenvolvimento e desenvolvidos, para conceder suas contribuições, explicou uma autoridade das forças de manutenção da paz.

Mas o Sudão do Sul tem uma riqueza: seu petróleo. O novo país possui reservas estimadas em 6,7 bilhões de barris.

E produção é relativamente pequena, 500.000 barris/dia, que são transportados por meio de um oleoduto para Port Sudan. O petróleo também é de má qualidade, pesado, que se solidifica em contato com o ar. As receitas com o petróleo são avaliadas em 9 bilhões de dólares por ano.

Por outro lado, o Sudão do Sul tem diversas questões para negociar com seu vizinho do Norte, em particular a das fronteiras. Vários locais são disputados e um acordo-quadro foi concluído entre o Norte e o Sul em junho para a mobilização de observadores na fronteira. A previsão é de que sejam 2.500, mas nada foi negociado em detalhes.

Uma outra questão é a divisão das riquezas. O petróleo está no Sul e representa 98% das reservas do Sul, mas as instalações petrolíferas estão todas no Norte, que quer uma parte dos ganhos.

O Sudão do Sul possui uma superfície de 589.745 km2, ou seja, 24% do antigo Sudão. Ao contrário do Norte muçulmano, o Sul é majoritariamente cristão.

A votação da secessão com o Norte foi realizada no país em janeiro de 2011 e 98,83% da população do sul apoiou, em virtude de um acordo de paz concluído em 2005 após duas décadas de guerra civil que deixaram cerca de dois milhões de mortos e quatro milhões de refugiados.

Em mais um aparente sinal da vontade de mudar a situação de conflitos que prejudicou o país internacionalmente, governo de Cartum assinou nesta quinta-feira em Doha um acordo de paz com um grupo rebelde de Darfur, região assolada por um conflito armado desde 2003, após vários meses de negociações.

O documento foi assinado pelo governo do presidente Omar al-Bashir e o Movimento para a Justiça e a Libertação (MJL), uma coalizão de pequenos movimentos rebeldes, na presença de Bashir e do chefe de Estado do Qatar, o emir Hamad ben Khalifa al-Thani, durante uma sessão pública.

Mas a ala radical do MJL rejeitou imediatamente o acordo. “Não é um acordo de paz, é um acordo de distribuição de empregos que oferece posições aos que o assinam e não resolve os verdadeiros problemas de Darfur”, declarou o porta-voz do MJL, Gibril Adam, à AFP.

O ministro das Relações Exteriores alemão, Guido Westerwelle, cujo país exerce a Presidência interina do Conselho de Segurança, disse na quarta-feira que o Sudão do Sul tinha se comprometido a “defender as propostas e princípios” da carta da ONU.

Acesso em: 14/07/2011

Disponível em:
http://br.noticias.yahoo.com/sudão-sul-é-novo-estado-onu-151704526.html

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