Clipping de Relações Internacionais

Sob pressão para intensificar ataques, Otan discute ação militar na Líbia

Posted in Oriente Médio, Paz & Conflito by Larissa Sauer on 14/04/2011

BBC Brasil – 14/04/2011

Ministros de Exterior da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) se reúnem nesta quinta-feira em Berlim para discutir, entre os principais temas, os ataques da aliança militar contra a Líbia.

A exemplo do que ocorreu na reunião do chamado grupo de contato, que reúne países contrários ao governo do coronel Muamar Khadafi, França e Grã-Bretanha devem pressionar para que mais países colaborem com reforços militares para a operação.

A Otan assumiu o comando da ofensiva na Líbia, iniciado por Estados Unidos, França e Grã-Bretanha. Entretanto, há divergências sobre o rumo que a aliança deve seguir daqui para frente.

Entre as funções da Otan estão policiar um embargo marítimo de armas e manter uma zona de exclusão aérea. O comando estritamente militar da operação já expressou sua satisfação com o cumprimento desses objetivos.

Entretanto, os governos britânico e francês querem a participação de outros países em ações mais agressivas, como atacar alvos no solo. Os mais prováveis candidatos para prover ajuda seriam a Itália e a Espanha.

A Grã-Bretanha afirmou que está fornecendo aos rebeldes mil coletes à prova de balas e cem telefones via satélite.

Na quarta-feira, um porta-voz do governo francês disse que o país não está enviando armas para os rebeldes, mas que “isso não quer dizer que não simpatizemos com quem está”.

Já os Estados Unidos afirmaram que continuam participando dos ataques aéreos à Líbia, apesar de terem reduzido sua participação na operação desde o início da ofensiva.

A secretária americana de Estado, Hillary Clinton, que participará do encontro em Berlim, disse que o país continuará na Líbia após ter recebido, nos últimos dias, “relatos preocupantes de novas atrocidades” cometidas pelas forças do regime contra a população líbia.

O ministro do Exterior líbio, Khaled Kaim, acusou o Catar de fornecer armas antitanques francesas para os rebeldes e enviar instrutores militares para o leste do país, controlado pelas forças de oposição.

As acusações também foram feitas contra o grupo libanês xiita Hezbollah. Nenhuma delas pôde ser verificada de maneira independente.

Crise humanitária

No país, os combates prosseguiram na quarta-feira entre forças pró e contra Khadafi, com relatos de fortes explosões na capital, Trípoli.

A TV líbia disse que bombardeios da Otan atingiram as cidades de Al-Aziziya e Sirte. A aliança afirmou ter bombardeado posições de defesa próximas da capital.

Há relatos de que rebeldes teriam feito avanços na cidade de Misrata, a única controlada por opositores do regime no oeste do país.

Em Doha, no Catar, o grupo de contato formado por Estados Unidos, potências militares europeias, países do Oriente Médio e organizações internacionais pediu que Khadafi renuncie ao poder e anunciou um fundo para financiar diretamente os rebeldes líbios.

O documento final do encontro não mencionou valores, mas garantiu que os recursos atenderão às necessidades financeiras dos rebeldes.

O conflito será tema nesta quinta-feira de um encontro da União Africana e da Organização da Conferência Islâmica, no Cairo, no qual são esperados os secretários-gerais da ONU, Ban Ki Moon, e da Liga Árabe, Amr Moussa, mais a comissária de política externa da União Europeia, Catherine Ashton.

Na quarta-feira, Ban Ki-moon se disse preocupado com o efeito da ação militar sobre os cerca de 6 milhões de habitantes da Líbia.

“No pior cenário, até 3,6 milhões de pessoas vão precisar de ajuda humanitária”, disse.

Segundo o secretário-geral da ONU, 2,7 mil pessoas cruzam as fronteiras líbias para o Egito e a Tunísia diariamente, e já há cerca de 330 mil desalojados internos no país.

Cerca de 490 mil pessoas já deixaram o país desde o início dos conflitos, em fevereiro.

Disponível: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/04/110414_libia_otan_pu.shtml

Acesso: 14/04/2011

 

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