Clipping de Relações Internacionais

Cruz Vermelha desempenha papel silencioso e crucial no conflito colombiano

Posted in Américas, Paz & Conflito by Nejme Joma on 13/02/2011

Bogotá, 13 fev (EFE).

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), que trabalha há 40 anos na Colômbia, assumiu nas libertações dos sequestrados das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) um papel crucial e bem particular na busca pela paz no país, o único da América do Sul onde persiste um conflito armado interno.

Apesar de a ex-senadora Piedad Córdoba atuar como mediadora junto às Farc para as libertações que o grupo armado iniciou na quarta-feira e que planeja terminar neste domingo, o CICV é quem coordena esta delicada missão.

“Isso faz parte do nosso trabalho, atuamos em conflitos armados nacionais e internacionais para melhorar as condições humanitárias”, explicou à Agência Efe María Cristina Rivera, porta-voz do CICV na Colômbia.

María Cristina esclareceu que o órgão participa como um “intermediário neutro e imparcial” e lembrou que esteve presente na libertação de centenas de reféns na Colômbia.

Um trabalho silencioso e arriscado que levou o CICV a integrar inclusive operações secretas nas quais as partes solicitaram sua intervenção.

Entre as missões da Cruz Vermelha está a assistência a populações deslocadas, índios em meio a fogo cruzado, vítimas de execuções sumárias, de violência sexual, de recrutamento forçado de menores e de minas terrestres.

Além disso, seus integrantes visitaram, adotando discrição máxima, pessoas sequestradas por grupos armados em regiões bastante isoladas.

Embora o CICV esteja em muitos pontos do planeta prestando assistência humanitária, na Colômbia seus voluntários atuam como heróis dos filmes de Hollywood quando chegam a lugares remotos da selva, muitas vezes à mercê do inconstante clima amazônico, para resgatar os reféns que a guerrilha decide libertar de forma unilateral.

Um trabalho rigoroso que começa com a aceitação das partes e prossegue com a logística e a subscrição de protocolos de segurança com o Ministério da Defesa. Só depois as equipes partem para a selva.

Os próprios membros do CICV que participam dessas missões, como a que está sendo realizada nesta semana, “neutralizam” os helicópteros com os símbolos do organismo, que em algumas ocasiões foram venezuelanos e nas últimas, emprestados pelo Governo do Brasil.

Os aparatos partem para destinos cujas coordenadas só são conhecidas pelos pilotos e que são fornecidas pela mediadora, a ex-senadora Piedad. Quando chegam, resgatam os reféns e os devolvem a liberdade após anos de confinamento.

As partes “aceitam nosso papel e nossos procedimentos”, afirmou María Cristina à Efe, ao acrescentar que no caso das libertações desta semana, “pela primeira vez” o organismo faz “um acompanhamento psicológico dos parentes mais próximos”.

O CICV contatou as famílias há algumas semanas em suas casas de Montería, Lorica, San José do Guaviare, Garzón e Bogotá “para prepará-las para a recepção e o choque emocional do encontro”, relatou a porta-voz.

Esse trabalho continuará até quando as famílias e os próprios libertados desejarem. “O objetivo é a recuperação total”, acrescentou María Cristina.

O CICV tem presença na Colômbia desde 1969, mas só até 1981 assinou um “acordo de sede” com o Governo para realizar seus trabalhos humanitários. Atualmente conta com quase 20 escritórios em todo o território do país.

Desde janeiro de 2008, o órgão participou da libertação de 15 reféns das Farc, entre políticos e militares, incluídos pelo grupo guerrilheiro em um lista de “prisioneiros de guerra” que pretendia trocar por 500 presos. EFE

Disponível em: http://br.noticias.yahoo.com/s/13022011/40/politica-cruz-vermelha-desempenha-papel-silencioso.html

 

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