Clipping de Relações Internacionais

Centrais já trabalham com valor inferior a R$ 580 para mínimo

Posted in Américas, Economia, Comércio & Finanças by Nejme Joma on 04/02/2011

SÃO PAULO (Reuters)

Na véspera de mais uma reunião entre governo e centrais, os sindicalistas não abrem mão de um reajuste real para o salário mínimo deste ano, mas já admitem reduzir a proposta inicial de 580 reais, segundo informou à Reuters um dos negociadores.

“O valor de 580 reais é número de negociação, mas dar só a inflação é pouco, está apenas corrigindo”, disse o sindicalista sob a condição do anonimato.

O patamar que os dirigentes têm comentado em conversas reservadas é de 560 reais, frente aos 545 reais propostos pelo governo. No ano passado, o mínimo era de 510 reais.

Para o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), órgão que assessora os sindicatos, 560 reais é o resultado da reposição da inflação de 2010 (INPC de 6,86 por cento) e do crescimento econômico previsto para 2011, de cerca de 4 por cento.

“Esta é uma alternativa que interessaria às centrais e ao governo. Indicaria a expectativa de crescimento do ano”, acredita Clemente Ganz Lúcio, diretor-técnico do Dieese, que participa das negociações.

Também na busca por um aumento real, a Força Sindical admitiu, pela primeira vez, a possibilidade de antecipar parcela do reajuste programado para 2012, que será muito superior ao deste ano, atingindo estimados 14 por cento.

O valor de 545 reais concedido pelo governo apenas repõe a inflação, com arredondamento para cima. O argumento é de que está respeitando acordo com as centrais realizado em 2006, na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que prevê inflação do ano anterior e desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes.

Ocorre que, com a crise internacional, o PIB ficou negativo em 2009, comprometendo o reajuste do mínimo. Em 2010, no entanto, o crescimento deve fechar próximo a 7,5 por cento –índice que, pela regra, será utilizado na composição do mínimo de 2012, por isso a Força já fala em antecipação.

Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), disse que os empregados não podem pagar pela crise e exige compensação. “O governo isentou empresas de impostos e liberou o compulsório para bancos para o Brasil entrar mais tarde na crise e sair antes. Então agora pode dar compensação para o mínimo”, afirmou.

Entidades como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) tentaram sensibilizar o presidente Lula no finalzinho de sua gestão, em dezembro, argumentando que um sindicalista não poderia deixar o posto sem conceder um reajuste real. Lula, no entanto, deixou a decisão para Dilma Rousseff.

CONTAS PÚBLICAS

Em início de governo, a presidente pretende sinalizar aos agentes econômicos que vai melhorar a gestão fiscal praticando austeridade nas contas públicas. Tem pela frente a decisão de um corte no Orçamento da União. Um reajuste maior do que o proposto para o salário mínimo, que impacta as contas da Previdência Social, não combina com esta estratégia.

Dados do Dieese indicam que o aumento de 1 real no salário mínimo representa um impacto de 249,3 milhões de reais na folha de benefícios da Previdência. Entre aposentados e trabalhadores da ativa, 47 milhões de pessoas recebem o mínimo.

Em meio ao debate, Dilma defendeu na quarta-feira, em mensagem ao Congresso, uma política de longo prazo para o mínimo e anunciou que enviará aos parlamentares uma proposta de valorização do patamar salarial.

As centrais estão confiantes na correção da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física, outro ponto das demandas. Argumentam que o IR vai absorver os reajustes salariais obtidos no ano passado. Até agora arredio, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, sinalizou à Força Sindical que está propenso à correção. As centrais querem 6,47 por cento e o governo, 4,5 por cento.

(Reportagem de Carmen Munari; Edição de Maria Pia Palermo)

Disponível em: http://br.noticias.yahoo.com/s/reuters/110203/manchetes/manchetes_politica_minimo_reduz

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