Clipping de Relações Internacionais

Blair diz que ignorou alerta sobre ilegalidade da guerra no Iraque

Posted in Europa, Paz & Conflito by Nejme Joma on 21/01/2011

Grã Bretanha – BBC News

O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair admitiu nesta sexta-feira ter ignorado em 2003 as advertências do ex-advogado-geral do país, Peter Goldsmith, de que atacar o Iraque sem o apoio das Nações Unidas seria ilegal.

Convocado pela segunda vez para depor no inquérito oficial sobre o papel da Grã-Bretanha na Guerra do Iraque, Blair disse ter acreditado que o alerta dado por seu principal consultor legal não era definitivo.

Ele disse também que achou que Goldsmith mudaria de ideia sobre a necessidade de uma segunda resolução da ONU que justificasse a violência quando soubesse de todos os detalhes, e negou ter pressionado o advogado-geral para que mudasse seu parecer.

O ex-primeiro-ministro foi questionado sobre as possíveis contradições entre seu depoimento no inquérito, no ano passado, e as declarações do próprio Goldsmith.

‘Desconforto’

O advogado-geral disse ter se sentido “desconfortável” com declarações que Blair fez a parlamentares antes da guerra de que o Iraque poderia ser atacado sem autorização da ONU, quando havia dito o oposto ao premiê.

Blair revelou que também sentiu desconforto ao fazer o pronunciamento, mas disse estar argumentando politicamente a favor do início do conflito.

“Quero deixar claro que, obviamente, lamento profundamente as perdas de vidas, sejam elas de nossas forças armadas, das de outras nações, de civis que ajudaram o povo iraquiano ou dos próprios iraquianos e desejo dizer isso porque é a coisa certa a se dizer e é o que eu sinto”, disse Blair.

Neste momento, o público presente à audiência, que incluía parentes de mortos no Iraque, reagiu com gritos de “tarde demais” .

Irã

O ex-premiê, que atua hoje como enviado de paz para Oriente Médio da ONU, disse que atualmente o maior desafio é representado pelo Irã.

“Vejo o impacto e a influência do Irã o tempo todo. É negativa, desestabilizadora e dá sustentação a grupos terroristas”, disse ele.

“(O Irã) faz tudo para impedir o progresso no processo de paz no Oriente Médio e para evitar que a região possa embarcar em um processo de modernização de que tanto necessita”, completou.

“E isso não ocorre porque fizemos algo. Eles fazem isso porque discordam fundamentalmente com nosso modo de viver e vão continuar fazendo isso a menos que sejam impedidos com a determinação necessária e, se necessário, força”, disse.

Iniciado no final de novembro, o inquérito está analisando o período entre 2001 e 2009 e investiga três pontos principais: a justificativa para a entrada no conflito; a preparação para a invasão do Iraque e as deficiências no planejamento para a reconstrução do país asiático.

Com membros nomeados pelo próprio primeiro-ministro, o júri presidido por John Chilcot não vai estabelecer culpa ou determinar responsabilidade civil ou criminal, mas apenas emitir advertências e recomendações para evitar que eventuais erros cometidos no episódio sejam repetidos no futuro.

O relatório final será debatido no Parlamento.

Disponível em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/01/110121_blair_rc.shtml

Uma resposta

Subscribe to comments with RSS.

  1. edelvio coelho lindoso said, on 22/01/2011 at 0:03

    Como um homem com êsse histórico pregreso pode ser comissionado pela ONU, nesse momento como mensageiro da paz? Êle bem poderia estar numa rede chorando a morte de seus irmãos soldados, imolados no Iraque, por sua insânia e desobediência às lêis e aos compromissos devidos à Organização internacional maior onde seu pais estava congregado. A sua truculência e servidão ao Estado filho, EUA, é bem o retrato de quem são os desestabilizadores da órdem no OM. Junte-se estes dois a essa cria artificial de Estado, Israel, e aparecerá a Trindade Malígna e intocável, perante a desmoralizada ONU.
    A fôrça nefasta dêsse Trio, no OM, é responsável por êsse rio de sangue que corre ali, na hora, só de palestinos, mas com propósitos e planos para estender êsse horror a Teerã, no mesmo modêlo do Iraque, com toda a perversidade de suas máquinas de guerra, cada um por seus motivos satânicos individuais, longe de qualquer nobreza, sem nenhuma sensibilidade moral ou humana, e já com a desculpa pronta de culpar um outro por um projeto de arma que poderá vir a existir, e que a tróica já possui, há tempos.
    É nojentinho essas três cabeças dementadas, na América, na Europa e no OM, maquinando êsse plano diabólico, por uma ganância mesquinha, sem se incomodar pelas milhares de almas que emigrarão compulsòriamente, deixando órfãos e viuvas, e também famílias destroçadas.
    êsse grupelho deveria ser indiciado como criminosos de guerra e serem enterrados em Abuhgraib ou Guantâmano, por toda a vida.


Comentários encerrados.

%d blogueiros gostam disto: