Clipping de Relações Internacionais

2010: O ano em que Obama se viu obrigado a pôr os pés no chão

Posted in Américas, Política & Política Externa by Nejme Joma on 20/12/2010

Washington, 20 dez (EFE).

Não foi um ano completamente desastroso para o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pois ele conseguiu conquistas como a assinatura do tratado de desarmamento Start e a reforma do sistema de saúde, mas em 2010 o eleitorado o obrigou a pôr os pés no chão.

Obama começou o ano com o pé esquerdo, ao não cumprir o que tinha sido a primeira promessa de seu mandato: o fechamento da prisão em Guantánamo (Cuba) em seus 12 primeiros meses de gestão.

Mas um golpe maior aconteceu no mesmo mês de janeiro, quando seu partido perdeu a maioria absoluta da qual gozava no Senado, depois que o republicano Scott Brown ganhou, de forma surpreendente, uma eleição parcial em Massachusetts, um dos principais redutos democratas nos EUA.

O revés obrigou o presidente americano a variar sua tática para aprovar o que é a grande “joia da coroa” de seu mandato, a reforma do sistema de saúde.

Após semanas de demora, uma manobra técnica permitiu submeter a votação a medida e evitar um bloqueio da minoria republicana. A Câmara aprovou em 21 de março a histórica lei, que amplia a cobertura médica para 32 milhões de americanos até 2019.

Sem dúvida, foi o momento de maior glória de seu mandato até o momento. Como lhe sussurrou ao promulgar a medida o vice-presidente Joe Biden, sem perceber que as câmeras o gravavam: “Este é um puta de um acordo (This is a big fucking deal)”.

Sua boa sequência continuou em 9 de abril com a assinatura em Praga, junto ao presidente russo, Dmitri Medvedev, do novo tratado Start de desarmamento nuclear, sua maior conquista em política externa e que sela o novo começo das relações entre Washington e Moscou.

No entanto, em seu retorno a Washington começaram de novo os problemas. Em 20 de abril explodiu no Golfo do México a plataforma da companhia petrolífera British Petroleum.

Começou assim o maior vazamento de petróleo na história dos EUA, um derramamento que só conseguiu ser fechado definitivamente no outono (hemisfério norte) e um problema cujas consequências ecológicas a longo prazo ainda não foram determinadas com certeza.

A popularidade de Obama caiu cada vez mais nas pesquisas, sem que a aprovação de uma reforma do sistema financeiro causasse um grande impacto entre os eleitores.

Em setembro, o presidente dos EUA – que tinha prometido que faria da paz no Oriente Médio um de seus objetivos em política externa – ficou satisfeito quando israelenses e palestinos retomaram em Washington suas conversas diretas após um ano e meio de interrupção.

O alvoroço se revelou prematuro: o processo voltou a estacionar por causa do fim da moratória israelense aos assentamentos judaicos da Cisjordânia. No começo de dezembro se voltou às conversas indiretas.

A Casa Branca começava a dar mostras de nervosismo. Em 2 de novembro foram realizadas eleições legislativas para renovar a Câmara de Representantes (Deputados) e um terço do Senado, sem que as pesquisas anunciassem boas notícias para os democratas.

Apesar da mobilização em massa da Casa Branca e do próprio presidente, os eleitores, irritados com a estagnação econômica, deram aos democratas o que Obama qualificou de “uma surra”.

Os republicanos conseguiram ficar com a maioria na Câmara de Representantes e recuperaram seis assentos no Senado.

Obama – que após seu triunfo nas presidenciais de 2008 tinha replicado aos republicanos “eu venci” – prometeu agora, contrito, governar pelo bipartidarismo.

Suas primeiras tentativas, até o momento, não parecem ter deixado a muitos satisfeitos.

No último dia 7 de dezembro anunciou um acordo com os republicanos para manter como estão, durante dois anos, os cortes de impostos que tinha aprovado seu antecessor, George W. Bush.

Se com isso ganhou respaldo republicano no Senado, irritou as bases democratas, contrárias a que se prorrogassem os cortes fiscais aos mais ricos.

Também está pendente o futuro do Start, que para entrar em vigor precisa de uma ratificação do Senado, que os republicanos não concedem.

E para terminar de rematar o ano, um juiz federal da Virgínia declarou inconstitucional parte da reforma da saúde, uma decisão que o Governo apelará.

O ano de 2011 desponta como decisivo para Obama, que terá que encontrar uma fórmula para coabitar com republicanos em alta e recuperar a magia que o fez ganhar as presidenciais de 2008.

O tempo começa a contar. Restam 23 meses para as presidenciais de 2012. O que Obama fizer a partir de agora dependerá se isso é, realmente, o que lhe resta para estar na Casa Branca, ou se conseguirá quatro anos mais. EFE

Disponível em: http://br.noticias.yahoo.com/s/20122010/40/mundo-2010-ano-obama-se-viu.html

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