Clipping de Relações Internacionais

Israel critica reconhecimento da “Palestina” por sul-americanos

Posted in Opinião Pública/Mídia, Oriente Médio, Regiões by Rodrigo Solagna on 09/12/2010

Por Dan Williams

JERUSALÉM – Reuters 07/12/2010

Israel criticou a Argentina, o Brasil e o Uruguai nesta terça-feira por declararem reconhecimento de um Estado palestino, dizendo que isso é uma “interferência altamente prejudicial” por parte de países que nunca fizeram parte do processo de paz no Oriente Médio.

“Eles nunca contribuíram para o processo … e agora estão tomando uma decisão que vai completamente contra tudo o que foi acordado até agora”, disse um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Yigal Palmor. “É um absurdo.”

Palmor disse que Israel vai transmitir sua decepção aos governos em questão e avisar “qualquer país que siga seu exemplo” que ele corre o risco de causar mais confusão em torno do processo de paz.

A Argentina anunciou na segunda-feira que reconhece a “Palestina como Estado livre e independente” e disse que a decisão segue as do Uruguai e Brasil, que no mês passado reconheceram um “Estado da Palestina baseado na fronteira pré-1967”.

Israel contesta a reivindicação palestina de controle de toda a Cisjordânia e Jerusalém Oriental, terras que capturou da Jordânia na guerra de 1967 e nas quais desde então fixou grandes assentamentos judaicos.

“Tal declaração hoje apenas prejudica o processo de paz, porque simplesmente encoraja os palestinos a continuar resistindo, na esperança de que algum milagre caia do céu ou que a comunidade internacional imponha algum tipo de acordo a Israel”, disse o vice-chanceler Danny Ayalon.

“E o importante é que os americanos tampouco aceitam isso”, disse Ayalon à rádio do Exército de Israel.

A maior parte do mundo ignorou a declaração de um Estado palestino feita por Yasser Arafat em 1988. Mas, com o processo de paz murchando, o presidente palestino, Mohammed Abbas, disse que outras opções podem incluir buscar o reconhecimento do Estado palestino nas Nações Unidas – embora ele tenha admitido que seja pouco provável conseguir o apoio dos EUA.

IMPASSES

As negociações de paz mediadas pelos EUA, e que começaram há duas décadas, se baseiam na premissa de um Estado palestino delineado com o consentimento de Israel. As potências mundiais querem um tratado que crie um Estado na Cisjordânia — incluindo Jerusalém Oriental — e na Faixa de Gaza, que Israel tomou do Egito na guerra de 1967 e da qual se retirou em 2005.

O atual primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de direita, está resistindo aos chamados dos EUA pelo fim das construções nos assentamentos israelenses na Cisjordânia, algo que Abbas definiu como condição para a retomada das negociações.

Abbas argumenta que os palestinos, que já aventaram a possibilidade de trocas de terra como parte de um possível acordo com Israel, precisam de garantias de que seu futuro Estado terá território suficiente e uma capital em Jerusalém Oriental.

Israel diz que Jerusalém é sua capital não divisível. Mas esse status, como também o dos assentamentos israelenses, não ganhou apoio internacional.

O direito de Abbas de negociar fronteiras e outras questões-chaves é contestado pelo grupo islâmico Hamas, que venceu uma eleição em 2006, tomou o controle da Faixa de Gaza um ano depois e rejeita a coexistência permanente com o Estado judaico.

“Existe uma entidade palestina na Cisjordânia, governada pela Autoridade Palestina, outra entidade palestina em Gaza, governada pelo Hamas, e as duas não se reconhecem mutuamente”, disse Palmor.

“Qual Estado palestino os brasileiros e argentinos estão reconhecendo? Isso não está claro nem sequer para os próprios palestinos.”

(Reportagem adicional de Mohammed Assadi em Ramallah e Maayan Lubell e Douglas Hamilton em Jerusalém)

Disponível em: http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRSPE6B60AT20101207?sp=true

Acessado em: 07/12/2010

Uma resposta

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  1. Andre Fontes said, on 09/12/2010 at 16:14

    Acredito que o Porta-Voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel tenha se equivocado ao dizer que o Brasil jamais contribuiu para o processo de paz entre Israel e seus vizinhos. Lembro, inicialmente, que a própria formação de Israel resulta de ações concretas da Organização das Nações Unidas, nas quais, sabidamente, a participação da diplomacia brasileira foi decisiva. O Brasil que lutou contra a o nazismo e viu ser derramado o sangue de seus filhos, também recebeu a notícia de que o Batalhão do Suez, integrado por militares brasileiros, sofreu uma baixa, diga-se, um desperdício de vida de um brasileiro, por tiros do Exército de Israel em um momento que não havia qualquer combate de fogo pela unidade brasileira ou qualquer outra. Sugiro que consultem os registros para confirmar essa última e esquecida informação. Também o Brasil manifestou oficialmente a declaração de que a eleição de Ariel Sharon na sua última eleição, em nada contribuia para a paz. O Brasil sempre nutriu uma relação reciprocamente respeitosa com Israel e seus vizinhos e, mesmo quando Israel travava relações com a Africa do Sul do Apartheid, não questionou Israel, a despeito do número sensível de judeus israelense que se voltavam contra o regime racista da Africa do Sul. Talvez o único senão nas relações com Israel tenha sido a adesão do Brasil a conclusão de que o Sionismo seria uma forma de racismo. Prefiro acreditar que não foi o povo brasileiro, mas a Ditadura Militar que se propôs a esse lamentável papel contra o Sionismo. Seria impensável uma resolução dessa natureza em um Brasil democrático. Os vôs da El Al ao Brasil, a cooperação tecnólogica, policial e militar; a celebração do Acordo de Livre-Comércio Brasil-Israel mostra o quanto os dois países tem a contribuir reciprocamente para o engrandecimento dos dois povos, brasileiro e israelense. E a prova dessa assertiva foi a afirmação do Ministro da Defesa de Israel de que o reconhecimento brasileiro não tem nenhum efeito prático… Uma saudação ao povo de Israel é sempre necessária. Sua história, tradição, cultura e relição assim o justificam. Mas, também, sua solidariedade e tolerância, com os israelenses não-judeus e todos aqueles que visitam Israel. O Brasil deve ser visto sempre como amigo de Israel, nunca um estanho que jamais cooperou com o desenvolvimento de Israel ou que haja como inimigo de Israel.


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