Clipping de Relações Internacionais

EUA apertam cerco contra WikiLeaks e seu fundador

Posted in Américas, Opinião Pública/Mídia by Nejme Joma on 01/12/2010

Washington, 1 dez (EFE).

O site WikiLeaks permaneceu fora do ar durante boa parte do dia e seu fundador, Julian Assange, procurado pelas autoridades internacionais, se encontra em paradeiro desconhecido, enquanto a Casa Branca anunciou a criação de uma comissão para evitar novos vazamentos.

O WikiLeaks é alvo de ataques sistemáticos desde que, no domingo, começou o vazamento de documentos diplomáticos secretos que expuseram os bastidores da política externa americana.

Após os ataques contra seu habitual servidor na Suécia, o WikiLeaks se hospedou nos servidores da loja virtual Amazon, mas esta deixou de apoiá-lo nesta quarta-feira por motivos ainda desconhecidos, gerando críticas do WikiLeaks pelo microblog Twitter.

O acesso ao site foi retomado depois que o WikiLeaks voltou a se hospedar em seu servidor sueco.

Para fundamentar sua argumentação, o WikiLeaks fez referência à Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que defende a liberdade de expressão, de imprensa e de religião, bem como o direito à reunião.

“Se a Amazon está tão incomodada com a Primeira Emenda, deveria deixar o negócio de venda de livros”, afirmou o WikiLeaks pelo Twitter.

De Londres, em meio à crescente pressão das autoridades para que Assange preste contas à Justiça por acusações de estupro, o porta-voz do WikiLeaks, Kristin Hrafnsson, negou que o vazamento de documentos secretos tenha violado lei alguma.

“Estamos fazendo isso pelo bem do público (…). Não acho que tenhamos violado lei alguma”, disse Hrafnsson em declarações à imprensa em Londres, acrescentando que a transparência é a base de qualquer democracia saudável.

“Um mundo sem segredos é um mundo melhor”, afirmou Hrafnsson, ex-jornalista televisivo da Islândia.

Em Washington, enquanto isso, continuam os esforços para evitar que ocorra um novo vazamento de documentos secretos, constrangedor como este.

Assim, a Casa Branca anunciou nesta quarta-feira a criação de uma comissão que averiguará e iniciará reformas na distribuição de informações confidenciais.

Tom Donilon, assessor de Segurança Nacional americano, indicou para a liderança da comissão o especialista em luta antiterrorista Russell Travers, quem sugerirá mudanças necessárias para impedir fatos semelhantes.

O anúncio se soma ao feito nesta terça-feira pelo Departamento de Estado americano, que aumentou as restrições de acesso à base de dados de documentos diplomáticos por meio de um dos sistemas confidenciais do Governo.

O porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley, voltou a comentar o episódio nesta quarta-feira, ao dizer que os Estados Unidos estão dispostos a ajudar dissidentes e ativistas cujas vidas possam estar ameaçadas pelas revelações das correspondências diplomáticas.

Crowley disse, no entanto, desconhecer que alguém tenha solicitado ajuda.

Em sua entrevista coletiva diária, Crowley indicou que o Executivo americano tomou medidas para se prevenir contra a divulgação dos documentos.

Os comentários e reações de Washington ao escândalo que ficou conhecido nos EUA como “cablegate” se somavam aos que seguem aumentando de diferentes cantos do mundo.

Na capital paquistanesa, o primeiro-ministro Yousuf Raza Gillani organizou um encontro com o embaixador americano Cameron Munter, depois de alguns documentos vazados pelo WikiLeaks revelarem que Washington está preocupado com a possibilidade de que parte do material radioativo usado no arsenal nuclear do Paquistão possa parar nas mãos de radicais islâmicos.

Em Moscou, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, pediu aos EUA que não se envolvam em seus assuntos internos depois de algumas notas diplomáticas divulgadas alertassem que a democracia russa está em regresso.

O vazamento incomodou também o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, quem desmentiu nesta quarta-feira ter contas bancárias secretas na Suíça, tal como afirma uma das correspondências diplomáticas. Ele pediu a Washington que puna os autores desses telegramas.

A mãe de Assange se uniu a este enorme coro global ao defender, na Austrália, a inocência de seu filho.

“Muito do que se escreveu contra Julian não é verdade”, declarou à emissora australiana “ABC” Christine Assange. “É meu filho, o amo e obviamente não quero que o prendam. Reajo como qualquer outra mãe, estou consternada”.

A Interpol (Polícia internacional) informou nesta terça-feira que emitiu uma ordem internacional de prisão contra Assange, uma “notificação vermelha” (o nível mais alto que divulga), por supostos crimes sexuais. As acusações, no entanto, são consideradas por muitos como retaliação das autoridades contra Assange.

A entidade policial publicou a nota em seu site, na qual consta que a ordem de busca e captura de Assange, de 39 anos, foi emitida a pedido do Escritório Internacional da Promotoria Pública de Gotemburgo (Suécia). EFE

Disponível em: http://br.noticias.yahoo.com/s/01122010/40/economia-eua-apertam-cerco-wikileaks-fundador.html

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