Clipping de Relações Internacionais

Otan renova suas diretrizes e se abre à cooperação com a Rússia

Posted in Política & Política Externa, Rússia & Ásia Central by Nejme Joma on 20/11/2010

Lisboa, 19 nov (EFE).

A Otan tomou nesta sexta-feira uma das decisões mais ambiciosas desde a sua fundação, em 1949, ao aprovar um novo modelo de atuação em qualquer lugar do mundo e propor um sistema de defesa antimísseis em colaboração com a Rússia, sua velha inimiga.

Na cúpula de dois dias, inaugurada nesta sexta-feira em Lisboa, os governantes dos 28 países-membros da organização aprovaram o chamado “conceito estratégico”, com o qual a Aliança espera reforçar seu papel no século XXI.

O documento, de 11 páginas, substitui o aprovado em 1999 e abrange desde a reforma da organização para baratear custos até sua decisão de enfrentar os novos desafios da segurança global, como o terrorismo, as ameaças virtuais e a pirataria internacional.

Ao fim do Conselho Atlântico, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, divulgou que os membros da Otan concordaram pela primeira vez em um sistema de defesa antimísseis que cubra todo o seu território e proteja europeus e americanos.

Após a notícia extra-oficial de que Alemanha e França conseguiram resolver suas diferenças a respeito da dissuasão nuclear, mal vista por Berlim, o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, anunciou a aprovação da nova estratégia aliada.

A Otan atuará agora em qualquer lugar do mundo onde considerar haver uma ameaça para os países-membros além de seus limites geográficos.

“O mundo muda, enfrentamos novas ameaças e novos desafios, e este conceito estratégico assegura que a Otan seja tão efetiva como sempre em defender nossa paz e prosperidade”, disse Rasmussen.

O dinamarquês explicou que a Otan mantém seu velho pacto de defesa mútua perante um ataque exterior e também não renunciará à dissuasão nuclear enquanto houver no mundo este tipo de armas.

O secretário-geral da Aliança também destacou entre os renovados objetivos da organização o de ampliar a cooperação com outros países e organismos e criar um “departamento civil para que haja mais diálogo e cooperação”.

Nessa renovação da filosofia da Otan, que Rasmussen qualificou de “histórica”, o primeiro passo importante foi convidar a Rússia, entre outros possíveis parceiros, para participar do novo modelo do “escudo” antimísseis, motivo de discórdia entre o bloco ocidental e Moscou.

A proposta será formulada neste sábado durante a cúpula que a Otan realizará com o presidente russo, Dmitri Medvedev.

A Aliança esclareceu, no entanto, que o projeto do escudo antimísseis com a Rússia não representa o desenvolvimento de um único sistema integrado, mas sim em tornar compatíveis o russo e o aliado.

Antes da reunião, a Otan realizará uma sessão especial sobre o Afeganistão para aprovar o início, no começo de 2011, da transferência da segurança do território afegão a suas próprias forças nos distritos mais tranquilos e seguros do país.

Rasmussen especificou, porém, que não serão retiradas todas as tropas do país asiático no final de 2014, mesmo com a conclusão dos objetivos da etapa de transição, e prevê a manutenção de tropas internacionais, mas não em missão de combate, e sim para apoio e formação.

A primeira jornada das três cúpulas (Otan, Otan-Rússia e EUA-UE) foi realizada em meio a medidas de segurança nunca antes vistas na capital portuguesa, vigiada por milhares de policiais e forças militares.

Apesar do temor das autoridades do país de que a “contracúpula” convocada por organizações pacifistas atraísse ativistas radicais, os atos de protesto não chegaram a juntar 100 pessoas, embora as autoridades permaneçam em alerta perante uma manifestação convocada para o sábado.

A Polícia portuguesa já barrou até o momento a entrada de cerca de 200 estrangeiros suspeitos de pertencerem a movimentos radicais.

Participam da conferência da Otan 48 governantes, em cúpula sediada no moderno complexo de edifícios do Parque das Nações, às margens do rio Tejo.

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, foi o último dos principais líderes a chegar a Lisboa, onde já o esperavam, entre outros, Obama, a chanceler alemã, Angela Merkel, o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, o presidente francês Nicolas Sarkozy, e o chefe do Executivo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero. EFE

Disponível em: http://br.noticias.yahoo.com/s/20112010/40/mundo-otan-renova-diretrizes-se-abre.html

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