Clipping de Relações Internacionais

Sérvia quer discutir independência do Kosovo na Assembleia Geral da ONU

Folha de São Paulo – 28/07/2010

A Sérvia apresentou nesta quarta-feira um projeto de resolução à Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), propondo abrir novas discussões sobre a independência do Kosovo, apesar da corte mais alta da própria entidade já ter ratificado a decisão sobre a separação do território.

De acordo com a agência France Presse, que obteve uma cópia da proposta, o objetivo da chancelaria sérvia com a medida é “encontrar soluções aceitáveis para ambas as partes para todas as questões abertas, através de um diálogo pacífico e em nome da paz, segurança e cooperação na região”.

Belgrado espera que o assunto seja discutido na sede das Nações Unidas em setembro, e afirma que a “secessão unilateral não é uma maneira aceitável para solucionar as disputas territoriais”.

A posição da Sérvia chega dias após a Corte Internacional de Justiça (CIJ), o mais alto tribunal da ONU, ter anunciado seu veredito a favor da independência do Kosovo, declarada unilateralmente em 2008.

Logo após o anúncio Belgrado deixou claro que jamais reconheceria a independência de sua ex-Província.

APOIO INTERNACIONAL

Ainda na sexta-feira tanto a Sérvia quanto o Kosovo anunciaram ofensivas diplomáticas em busca de apoio internacional. O governo sérvio realizou uma reunião emergencial no fim da semana e decidiu intensificar seus esforços diplomáticos para evitar que mais países reconheçam Kosovo como uma nação soberana.

Kosovo, por sua vez, disse que retomará sua campanha global para que mais países reconheçam sua independência, além dos 69 que já o fazem, e para conseguir sua adesão à ONU.

“Preparamos cartas pedindo aos governos que reconheçam o Estado de Kosovo, e vamos começar a mandá-las hoje por correio, email e fax”, disse Albana Beqiri, porta-voz da chancelaria kosovar. “A decisão da corte foi tão clara que agora não há razão para não nos reconhecer.”

A Sérvia irá enviar representantes a 55 países para transmitir uma mensagem pessoal do presidente Boris Tadic contra a independência de Kosovo, e embaixadores em outras 40 capitais farão o mesmo, disse o chanceler Vuk Jeremic.

“Vou me dirigir pessoalmente aos representantes dos países não-alinhados na semana que vem em Nova York”, disse Jeremic numa entrevista coletiva.

CAIXA DE PANDORA

O chanceler alertou que a decisão da Corte de Haia pode estimular movimentos separatistas em todo o mundo. “A caixa de Pandora está aberta”, disse. “Talvez a maioria dos Estados membros da ONU sejam a favor da secessão [de Kosovo], mas nesse caso viveremos em um mundo muito diferente e numa região diferente. Não acho que vá acontecer.”

A relutância em aceitar a independência kosovar pode comprometer os esforços sérvios para aderir à União Europeia. Belgrado veta a adesão de Kosovo a órgãos regionais e impede a entrada em seu território de bens e pessoas oriundas de lá.

UNIÃO EUROPEIA

Ainda na segunda-feira a União Europeia (chanceler) pediu que Sérvia e Kosovo negociem, apesar da recusa de Belgrado em reconhecer a independência de sua antiga província, destacando o incentivo a uma eventual adesão ao bloco.

Tanto Sérvia como Kosovo esperam se unir à UE algum dia, mas diplomatas dizem que qualquer avanço será difícil se suas relações não melhorarem.

Para a chefe de Política Exterior da UE, Catherine Ashton, a decisão deveria ser uma oportunidade para diminuir as diferenças.

“O que ofereci a Pristina e Belgrado é que o futuro de ambos está na União Europeia… espero que queiram avançar e começar as discussões”, disse ela em entrevista coletiva depois de uma reunião de ministros das Relações Exteriores europeus.

Cinco dos 27 Estados da UE — Chipre, Eslováquia, Romênia, Espanha e Grécia — ainda se negam a reconhecer o Kosovo como um país independente.

Vários governos do bloco pressionaram nesta segunda-feira por um compromisso, sugerindo que um progresso mais rápido no processo de candidatura da Sérvia incentivaria Belgrado a reparar os laços com o Kosovo.

HISTÓRICO

A Sérvia perdeu o controle sobre Kosovo em 1999, quando a Otan bombardeou o país para paralisar a matança de pessoas de origem albanesa, numa guerra que já durava dois anos.

Após nove anos como um protetorado internacional, a maioria albanesa, com apoio dos EUA e da maior parte da UE, declarou independência em 2008, algo que a Sérvia prometeu jamais aceitar.

O primeiro-ministro sérvio, Mirko Cvetkovic, disse que seu país continua aberto a mais discussões sobre o status final de Kosovo, o que Pristina rejeita terminantemente depois das frustradas negociações promovidas pela ONU em 2006-07 em Viena.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/773924-servia-quer-discutir-independencia-do-kosovo-na-assembleia-geral-da-onu.shtml

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