Clipping de Relações Internacionais

Entra em vigor o acordo comercial entre China e ASEAN

Posted in Ásia & Oceania, Economia, Comércio & Finanças by Nejme Joma on 01/01/2010

Pequim, 1 jan (EFE).

O maior Acordo de Livre-Comércio (TLC) do mundo pelo número de consumidores, o assinado entre a China e os dez países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), com uma população de 1,9 bilhão, entrou hoje em vigor.

Por volume de negócio, com US$ 200 bilhões (140 bilhões de euros) em 2008, o TLC China-ASEAN é o terceiro do mundo, atrás da União Europeia e da América do Norte (NAFTA).

O PIB combinado dos 11 países é de US$ 6 trilhões.

A entrada em vigor consolida um processo iniciado entre a China e a Asean em 2002, quando o TLC começou a ser negociado, e que aumentou em seis vezes o volume comercial entre os países em menos de uma década.

Em 2005, foram aplicadas as primeiras reduções tarifárias. Dois anos depois, os acordos sobre mercadorias e serviços foram assinados. Em 15 de agosto do ano passado, finalmente, o documento de investimentos foi definido: no total oito anos de reduções paulatinas de tarifas por isso que, segundo os economistas, a eliminação não desequilibrará a economia mundial.

De fato, a China se transformou nos últimos anos no terceiro parceiro comercial da Asean, arrebatando o posto dos Estados Unidos e atrás do Japão e da União Europeia (UE), e o acordo é assinado em um momento em que a crise global reduziu as exportações asiáticas aos EUA.

O passo dado hoje representa a eliminação de 90% das tarifas comerciais entre a China e a Malásia, Indonésia, Brunei, Filipinas, Cingapura e Tailândia; e na segunda fase, que entrará em vigor em 2015, se eliminarão as barreiras com o Laos, Vietnã, Camboja e Mianmar, os quatro membros mais jovens.

A maior parte de produtos que iniciam a livre circulação contavam até agora com baixos encargos, de 5%.

Pequim espera que o TLC impulsione ainda mais o comércio entre os 11 países, já que representa um tratamento preferencial recíproco entre as empresas da Asean, e quando o pacto estiver plenamente implementado, 7 mil categorias de produtos circularão livremente pela região, conforme dados do Governo chinês.

Os 10% das tarifas que se mantêm correspondem às mercadorias que afetam à concorrência entre os países mais frágeis e o gigante chinês, concretamente produtos agrícolas, têxteis, eletrônicos, componentes de automóvel e maquinaria pesada, cujos encargos irão ser reduzidos pouco a pouco.

A organização desconhece ainda o impacto que o TLC terá em termos de economia aos consumidores, mas espera que “todas as partes atuem de modo que o cidadão médio se beneficie das reduções tarifárias”, disse o secretário-geral da Asean, o tailandês Surin Pitsuwan.

Por trás dos grandes números, existem enormes disparidades no grupo: o poder de aquisição dos quatro países mais ricos foi dez vezes superior ao dos sete restantes no ano passado.

Os analistas acreditam que em massa o TLC beneficiará os países com recursos naturais e petróleo que alimentam o insaciável apetite energético chinês, enquanto será um problema para os que precisam competir com as exportações baratas da terceira potência econômica.

Os países produtores de têxteis, calçado e aço, como Tailândia, Vietnã, Camboja e Indonésia, sabem que seu setor produtivo é mais vulnerável às exportações chinesas.

A Indonésia, a maior economia do sudeste asiático, está inclusive estudando pedir uma revisão do tratado para os setores que considera mais expostos à avalanche amarela: têxtil, produtos eletrônicos, aço e petroquímicos.

O Vietnã acumulou um déficit comercial com a China de US$ 11 bilhões em 2008, já que sua produção é baseada em exportações baratas, por isso o país terá de identificar novos nichos de negócio.

“O nível de concorrência é diferente em vários setores”, reconheceu Doan Duy Khuong, vice-presidente da Câmara de Comércio e Indústria do Vietnã, citado pela agência de notícias chinesa “Xinhua”.

“A concorrência obrigará às empresas a melhorar e a buscar a qualidade, o que será bom para os consumidores”, acrescentou.

No outro extremo, os membros da Asean mais favorecidos são aqueles com pequenos déficits comerciais com a China, como Cingapura, Malásia e Tailândia.

A Malásia espera se beneficiar com o TLC, já que exporta azeite de palma, borracha e gás natural à China, e poderá assim aumentar as exportações agrícolas ao país asiático, da mesma forma que o Vietnã e Camboja, mas que por outro lado não poderão competir com o têxtil chinês.

A Tailândia também pode oferecer bens agrícolas, assim como bebidas, jóias e cosméticos para a crescente demanda chinesa; enquanto Cingapura comemorou os benefícios do TLC.

Disponível em: http://br.noticias.yahoo.com/s/01012010/40/economia-entra-vigor-acordo-comercial-china.html

Uma resposta

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  1. hey said, on 04/03/2010 at 10:27

    util, obrigada


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