Clipping de Relações Internacionais

Comissão da Aeronáutica vai apontar qual é o melhor caça

Posted in Américas, Regiões, Segurança Nacional & Defesa by Ariel Boldrini on 11/09/2009

Brasil – Folha de São Paulo – 11/09/2009

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá sofrer constrangimento ao anunciar oficialmente a opção do Brasil por um dos três caças que disputam a renovação da frota da FAB, pois o presidente da comissão responsável pelo processo de seleção, brigadeiro Dirceu Tondolo Noro, disse que irá indicar um vitorioso técnico. A partir daí a decisão será política.

“Dentro da metodologia que foi aprovada pelo Alto Comando da Aeronáutica, eu vou dizer: dentro desses métodos aqui, o mais pontuado é esse aqui”, disse Noro à Folha, explicando que o resultado sairá de uma confrontação de dados, com pesos específicos, sobre cada um dos concorrentes.

Estão na disputa o Rafale, da empresa francesa Dassault, o F-18, da norte-americana Boeing, e o Gripen, da sueca Saab. Se a opção técnica não coincidir com a vontade política de Lula de comprar os 36 caças da França, o presidente terá que explicitar que a escolha é política e estratégica.

Na segunda-feira, durante a divulgação de um mega-acordo militar entre Brasil e França para compra de submarinos de propulsão nuclear e helicópteros, o governo brasileiro surpreendeu ao anunciar que tinha aberto negociação para adquirir os aviões franceses.

Depois do comunicado que indicava a preferência brasileira pelos Rafale, Noro se reuniu na terça e na quarta com os três concorrentes e disse ontem que as três aceitam melhorar suas ofertas tanto de preços quanto de condições.

“Todos têm autorização [de seus governos] de melhorar formalmente suas ofertas. Está tudo escrito, não é nada de boca nem daqui para lá, nem de lá para cá”, informou Noro.

Segundo ele, as três empresas têm até dia 18 para melhorar suas propostas e torná-las mais competitivas, porque é nessa data que ele vai fechar o processo de coleta de dados, que já dura um ano e reúne mais de 26 mil páginas.

“Todos os três têm as mesmas condições, dentro do que foi negociado na oferta original, na oferta revisada e na oferta final. Eles sabem muito bem em que cada um pode melhorar, no preço também. Eles não têm dúvidas quanto a isso.”

As áreas analisadas pela comissão são: 1) técnica, como garantias; 2) operacional, como armamento e capacidade de carregamento de armas; 3) transferência de tecnologia, que significa averiguar o que essa parceria vai dar e vai render para o Brasil hoje e no futuro nesse componente; 4) offset, que pode ser direto no avião que está sendo comprado ou pode ser para um outro projeto estratégico, ou de materiais, ou de sistema, ou de mísseis, que aquele fabricante domina e transfere para o Brasil; 5) comercial, e aí se incluem preços e condições do negócio.

Segundo ele, o processo de seleção, comandado pela Copac (Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate), vem sendo consolidado desde a década de 1980, com o programa AMX, do consórcio Brasil-Itália. Hoje, isso tudo está regido e organizado por diretriz do Comando da Aeronáutica, responsável pelo “desenvolvimento, introdução na FAB, apoio e serviço e finalmente desativação de aeronaves e de sistemas. É um ciclo”.

A questão da transferência de tecnologia é estratégica, diz. “Para que um avião desses possa efetivamente defender o país, eu preciso ter acesso e controle sobre o que é o avião e o que eu posso dispor dele. E se eu quiser colocar nele um míssil da empresa X ou Y, nós temos que ter autonomia para fazer isso. Se não, o avião não é nosso”, explica Noro.

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1109200902.htm Acesso em: 11/09/2009

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