Clipping de Relações Internacionais

Executivos discordam de metas de CO2 no Japão

Posted in Ásia & Oceania, Meio-Ambiente by Helen Schossler on 08/09/2009

Japão – Estadão – 08/09/2009

O futuro governo do Japão começa a tomar forma, com arrojadas metas para cortar a emissão de gases causadores de efeito estufa. A atitude gerou temores em algumas das principais companhias industriais do país.

Na segunda-feira, o líder do Partido Democrático do Japão (PDJ), Yukio Hatoyama, reiterou a meta eleitoral de cortar em 25% as emissões nacionais, na comparação entre 1990 e 2020. Já no dia seguinte, importantes empresários notaram, de modo polido mas firme, que as metas podem ser impossíveis de se alcançar.

Executivos de grandes indústrias japonesas afirmam ter pouca margem de manobra, pois o país já tem algumas das fábricas mais limpas e eficientes do mundo. Segundo esses empresários, as metas deveriam ficar em nível internacional, não com o Japão defendendo objetivos unilaterais.

Analistas notam que os usuários de matérias-primas, em indústrias como a de automóveis, aço, petróleo e químicos podem sofrer. Mas outros setores que se especializam em tecnologia verde podem receber um incentivo com as metas do PDJ.

“Falta dizer que uma meta assim seria difícil de alcançar”, afirmou o presidente da Honda, Takanobu Ito, em entrevista coletiva em Tóquio nesta terça-feira. O presidente da Toyota, Akio Toyoda, deu declarações similares. “Eu acho que seria difícil atingir a meta do PDJ para o meio do mandato para um corte nas emissões de gases causadores do efeito estufa”, disse.

As metas defendidas por Hatoyama vêm em um momento delicado para a indústria automobilística japonesa. Como outras grandes companhias mundiais, a Honda e a Toyota começam apenas agora a mostrar sinais de que emergem da prolongada desaceleração na demanda global, exacerbada pela recessão em grandes mercados como o Japão, os Estados Unidos e a Europa nos últimos 18 meses.

A Toyota informou, nesta terça-feira, que planeja recrutar 800 temporários no mês que vem, no Japão. Serão os primeiros novos empregados na companhia em 13 meses. Apesar disso, a Toyota projeta uma perda líquida de 450 bilhões de yuans neste ano até março, antes de voltar a lucrar no próximo ano fiscal.

Já os produtores de aço esperam receber tratamento favorável da próxima administração em relação a metas de cortes de emissão. A indústria do aço chinês perde apenas para a China globalmente, e representa 12% do consumo final de energia japonês, mas alega ser a mais eficiente no setor no planeta.

Quando o PDJ apresentar uma meta, o lobby do aço no país pretende lembrar ao governo que a luta contra o aquecimento global precisa incluir EUA, China e Índia, em um esforço mundial Há, porém, indústrias no país que podem lucrar com o esforço internacional para reduzir emissões. Em dezembro, as Nações Unidas promovem uma reunião em Copenhagen para estabelecer um novo acordo mundial sobre o clima, a fim de substituir o Protocolo de Kyoto.

Entre as empresas japonesas que podem lucrar com a tecnologia verde estão a Mitsubishi, que está produzindo materiais para baterias e diodos com baixas emissões, e a Toray, que investe em materiais para baterias solares, apontou o analista Satoru Takaoki, do SMBC Friend Research Center.

Disponível em: http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,executivos-discordam-de-metas-de-co2-no-japao,431362,0.htm Acesso em: 08/09/2009.

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