Clipping de Relações Internacionais

Quase 500 são atacados com seringas em Xinjiang

Posted in Ásia & Oceania, Paz & Conflito, Social & Questões Culturais by Leila Yatim on 04/09/2009

China – O Estado de São Paulo – 04/09/09.

Pelo menos 476 pessoas relataram ter sido vítimas de ataques com seringas contaminadas nas últimas duas semanas na província chinesa de Xinjiang, segundo informações divulgadas ontem pela imprensa oficial do país. A polícia local informou que 15 pessoas foram detidas sob suspeita de terem cometido as agressões, aparentemente motivadas por questões étnicas.

Os ataques provocaram um amplo protesto contra o secretário-geral do Partido Comunista da província, Wang Lequan, que está há 14 anos no cargo. Identificado com a linha dura do partido, Wang sobreviveu no posto mesmo depois de Urumqi, capital de Xinjiang, ter registrado um dos mais graves conflitos étnicos da história da China, que deixou 197 mortos e 1.600 feridos em 5 de julho.

Segundo a agência de notícias Associated Press, mais de 10 mil pessoas saíram às ruas da cidade ontem portando bandeiras da China e gritando palavras de ordem contra Lequan. Segundo a agência Nova China, os protestos tiveram início depois que uma menina de 5 anos foi vítima de agressão com uma seringa contaminada.

A maioria dos que saíram às ruas era de chineses han, a etnia à qual pertencem 433 dos 476 dos que teriam sido atacados com seringas, segundo informações oficiais. Outros 19 seriam hui, que são hans convertidos ao islamismo, e 12, uigures, muçulmanos que são os habitantes originais de Xinjiang. As demais vítimas pertencem a outras seis etnias, segundo autoridades locais.

Nos últimos dias, o governo da província enviou mensagens por celular à população para alertar sobre uma onda de ataques com seringas que estariam contaminadas com um vírus cuja natureza não foi revelada. Há o temor de que as seringas estejam contaminadas com o vírus da aids. Xinjiang tem o maior número de infecções na China, cerca de 25 mil casos de HIV.

O novo episódio evidencia que a tensão étnica na região não arrefeceu, passados quase dois meses dos confrontos de julho, que tiveram início quando manifestantes uigures atacaram a população han. Dois dias depois, os han saíram às ruas com porretes e barras de ferro para se vingar dos uigures.

Pequim afirma que o responsável pelos conflitos de julho é a líder uigur Rebya Kadeer, que vive exilada nos EUA desde 2005. Na terça-feira, Rebya declarou que estava pronta para discutir com o governo chinês as “falhas” das políticas adotadas para a região nos últimos 60 anos.

Xinjiang é a maior província da China, mas possui apenas 1,5% da população de 1,3 bilhão do país. A região foi incorporada ao império chinês durante a última dinastia imperial, a Qing (1644-1911), e chegou a declarar independência por um curto período.Os comunistas que chegaram ao poder em 1949 decidiram restabelecer as fronteiras que prevaleceram durante o império e enviaram tropas para Xinjiang e Tibete.

Disponível em: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090904/not_imp429428,0.php

Acesso em: 04/09/09.

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