Clipping de Relações Internacionais

Brasil evita falar de Chávez e questiona Uribe sobre bases

Posted in Américas, Regiões, Segurança Nacional & Defesa by Rodrigo Felismino on 30/07/2009

Valor Econômico – 30/07/2009

O governo brasileiro evitou comentar as acusações contra a Venezuela por suspeitas de apoio militar aos guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionarias da Colômbia (Farc), mas cobrou da Colômbia explicações sobre o acordo militar para instalar bases dos EUA em seu território. Abordado para falar das suspeitas contra a Venezuela, o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, disse não ter informações sobre o caso e pareceu estar mais preocupado com a decisão colombiana de acolher três bases militares americanas.

“Se há preocupação com o novo acordo militar entre a Colômbia e os Estados Unidos, seria bom que a Colômbia transparentemente diga o que é, para que as pessoas ouçam, vejam, e possa haver uma discussão”, disse o ministro. Ele respondia a perguntas sobre o rompimento de relações diplomáticas entre Venezuela e Colômbia, provocado pela acusação colombiana de que a Venezuela repassou às Farc armas compradas da Suécia.

“O momento é mais de extintor que de gasolina”, comentou ao Valor o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia. Tanto ele quanto Amorim mostraram decepção pelo fato de que a Colômbia não comunicou seu acordo com os EUA ao recém-criado Conselho de Defesa da União das Nações Sul-Americanas (Unasul). O acordo acabou com a distensão diplomática ensaiada entre os governos de Caracas e Bogotá, e levou o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, a acusar o governo americano de preparar uma incursão armada contra seu país.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou rapidamente com Chávez ontem. Garcia vai à Venezuela amanhã, em viagem marcada há duas semanas, e deve tratar do tema das Farc com Chávez.

A reação de Amorim mostra o nível de preocupação do governo brasileiro com a decisão dos EUA, de instalar na Colômbia três bases em substituição à de Manta, no Equador, fechada por ordem do presidente equatoriano, Rafael Corrêa, aliado de Chávez.

O governo brasileiro diz não ter recebido nenhuma comunicação oficial da Colômbia sobre os lança-foguetes de fabricação sueca, do lote comprado pelas Forças Armadas da Venezuela, encontrados com guerrilheiros das Farc. “Não tive tempo de falar com ninguém, não posso me basear em notícias de jornais”, disse Amorim. “Esse assunto seria mais bem tratado pelos canais diplomáticos que por guerra de comunicados”, disse Garcia.

No Palácio do Planalto e no Itamaraty, foi aceita como verdade a declaração de Chávez, de que é inocente no tráfico de armas para as Farc. Diplomatas argumentam que são encontradas com o tráfico no Rio de Janeiro e São Paulo armamento militar de países como a Bolívia, sem que isso represente conivência do governo boliviano com o desvio das armas.

Em conversa reservada, um integrante do governo justifica a menção de Amorim à Colômbia pois a instalação de bases americanas soaria como provocação, quando se sabe que Chávez atribui ao governo americano apoio ao golpe de Estado que quase o derrubou em 2002. Washington chegou a reconhecer o breve governo golpista. Os americanos acusam Venezuela, Bolívia e Equador de apoio às Farc.

As bases americanas são vistas em Brasília como uma sabotagem ao interesse do Brasil de manter a América do Sul como zona de paz, sem interferência externa. Para um graduado diplomata, Chávez aproveita a atuação dos EUA para justificar compras de armas e as alianças com potências estrangeiras, como a Rússia, contra os interesses do governo brasileiro, que já reclamou reservadamente dessas iniciativas com o próprio Chávez.

Sergio Leo

Disponível em: http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/7/30/brasil-evita-falar-de-chavez-e-questiona-uribe-sobre-bases. Acesso em 30/7/2009.

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