Clipping de Relações Internacionais

Uma Rede Global com elementos locais

Brasil – Estadão – 13/07/2009.

O Facebook é a primeira rede social global. Nunca um site de relacionamentos liderou em tantos países. Reino Unido, Argentina, EUA, Espanha, Chile, França, África do Sul, Colômbia, Itália… O serviço desbancou os líderes e hoje é preferência de 30% dos internautas mundiais. E cresceu 155% em um ano. Só que, ao mesmo tempo, mesmo tão globalizado, é um fenômeno local.

Como? Os responsáveis por espalhar o Facebook pelo mundo foram norte-americanos e ingleses, afirma o diretor para a América Latina da comScore, Alex Benks. Estes últimos, inclusive, foram os primeiros a adotar a rede como a principal. “A partir daí, se espalhou. Um brasileiro não adiciona um amigo dos EUA no Orkut. Entrava no Facebook”. Por esse caráter internacional, até, o Facebook virou antes a maior rede social do mundo para depois liderar nos EUA.

Uma vez que um estrangeiro entrava na rede, se gostasse, também convidava os amigos do seu país. “E um amigo convida outro. Assim se forma o efeito de rede”, diz Nancy Baym, pesquisadora da Universidade do Kansas. “Quando as pessoas se cansam da rede anterior, procuram outra com novidades. E o Facebook tem várias. Se mais pessoas entrarem, cria-se massa crítica e as pessoas migram.”

O fato de o fenômeno ser mundial ajuda muito nisso. “As pessoas veem na mídia que o Facebook virou líder em tal país e querem experimentar, ampliando o movimento”, explica o analista de internet do Ibope Nielsen Online José Calazans.

Outro ponto que ajudou foi o fato de o Facebook ser traduzido pelos próprios internautas no exterior. “Isso faz com os usuários se engajarem, recomendar aos amigos”, explica Justin Smith, do bloghttp://www.insidefacebook.com/.

Por fim, tudo culmina numa rede… local. “O Facebook, com as regras de privacidade, não favorece contato entre estranhos. As pessoas adicionam quem conhecem. E esses amigos acabam sendo mesmo país”, explica a pesquisadora da PUC de Pelotas Raquel Recuero.

AS MAIORES

MySpace – Criado em 2003, o antigo gigante das redes sociais ainda conta com 261 milhões de usuários

Facebook – tem 230 milhões de contas e se torna uma rede global

Windows Live – A rede social da Microsoft foi lançada em 2004. Hoje são 120 milhões de usuários

Orkut – Tem 67 milhões de usuários, principalmente no Brasil e Índia

HI-5 – se popularizou na América Latina. Tem 60 milhões de usuários

Justin Smith

Justin Smith é referência em Facebook. Dono do blog http://www.insidefacebook.com/, ele cobre os bastidores da maior rede social do mundo e ganha dinheiro com consultoria para anunciantes. Para ele, a expansão do Facebook significa uma coisa: “Em muitos países, já é a segunda maior força na internet. Só o Google consegue, por enquanto, batê-lo. Mas até quando?”

Como você vê o crescimento do Facebook no mundo?

Sempre ouço de pessoas ao redor do mundo que elas usavam outras redes sociais locais. Daí, alguns amigos começara a usar o Facebook e eles tiveram de entrar lá para falar com eles. E acabaram deixando a outra rede social para trás. O Facebook está criando uma ferramenta que provou ser útil entre diferentes culturas e línguas e que está se espalhando pelo mundo.

Qual é a razão desse crescimento mundial? É pela universalidade, por causa dos aplicativos, da mobilidade?

Acho que é uma combinação disso tudo. A forma como os aplicativos tornam muito fácil compartilhar informações com os amigos, as ferramentas de privacidade. Outra coisa foi a possibilidade de dar aos usuários o poder de traduzir o site para outras línguas, tornando a tradução mais natural e, dessa forma, fazendo as pessoas se engajarem. Além disso, há a mobilidade, que é muito forte em vários países. Eles trabalharam muito nisso, fizeram acordos com operadoras de telefonia.

Hoje o Facebook está se tornando uma rede social global. Você acha que ele poderia se tornar uma internet dentro da internet, de onde as pessoas não precisariam sair mais, pois podem contatar qualquer pessoa?

Pelo fato de ser global, haverá muitos aplicativos que não se podia antes, pois é uma rede social com muita confiança. Já vemos hoje sites de viagens com aplicativos para compartilhar informações com amigos, além do começo de aplicativos financeiros. Tudo isso porque as pessoas acreditam na rede.

No futuro o Facebook irá liderar em todos os países? Países como Brasil, China, Coreia do Sul ainda são uma barreira?

Acho que em muitos países da América Latina e da Europa será o número um. No Brasil, em dois anos, também. Mas na Ásia, a cultura é muito diferente. A forma como as pessoas participam desses sites é diferente. E há um grande desafio em fazer negócios na China, pois o governo não gosta de empresas de fora.

Hoje, a maioria das redes não faz dinheiro. O Facebook já encontrou uma forma?

Eles têm trabalhado. Fizeram US$ 500 milhões neste ano, o que é muito bom. E estão abrindo escritórios na Europa e na Austrália. Não ficaria surpreso se abrissem no Brasil. Além disso, uma das saídas são os aplicativos para pagamento. As pessoas topam pagar uma pequena quantia por aplicações para celulares, por recursos diferenciados.

O Google é hoje a maior empresa da internet. O Facebook está se tornando a segunda?

Google, Microsoft e Yahoo ainda têm mais tráfego, pois têm e-mail, mensagem instantânea, etc. Mas acredito que, com essa migração, o Facebook irá competir de igual com os três no futuro.

Está, por exemplo, construindo o seu próprio buscador. As pessoas irão usar o Facebook como página inicial e será mais confortável buscar no Facebook do que no Google. Se olhar a forma como as pessoas se comportam nos países dominados pelo Facebook, elas ficam mais tempo lá do que nos outros sites. Em muitos países o Facebook já é a segunda maior força na web. O Google ainda tem a chance de batê-los. Mas até quando?

documento A “verdadeira” história por trás do Facebook

O título é bombástico: “Bilionários por Acidente: a criação do Facebook, um conto de sexo, dinheiro, ganância e traição”. O conteúdo, então, não deixa por menos: Mark Zuckerberg, fundador da rede social, é retratado como um jovem genioso, que teria feito o site para “pegar mulher” e, no meio de sua veloz ascensão, participou de orgias e até de um exótico jantar em um iate em que o prato principal era um coala.

O esperado livro, a ser lançado amanhã, 14, nos EUA, foi escrito por Ben Mezrich – o que diz muito sobre veracidade das informações contidas nele. Em seu site (benmezrich.com), Mezrich, autor de outros 10 livros, é descrito como alguém que “criou um estilo próprio de não-ficção altamente viciante, transformando em crônicas as incríveis histórias de jovens geniosos que fazem toneladas de dinheiro no limite da impossibilidade, da ética e da moralidade”.

Para boa parte dos críticos, entretanto, trata-se apenas de uma forma criativa de dizer que sua história é – ao menos – parcialmente inventada. Consciente das críticas, Mezrich escreveu um longo texto de abertura para o livro, em que admite a mistura de informações e de diálogos e, até mesmo, mudanças na cronologia dos eventos contados.

De um jeito ou de outro, a animada história sobre o mais jovem bilionário do mundo, Zuckerberg, despertou o interesse de Hollywood, que prepara um filme a partir do livro de Mezrich, autor do best-seller Quebrando a Banca, adaptado para o cinema no ano passado. O diretor David Fincher, de Clube da Luta e O Curioso Caso de Benjamin Button, está cotado para assumir o comando do longa.

TRECHO

“Em uma noite solitária, Mark (Zuckerberg) hackeou o sistema de Harvard, para criar um site interno com fotos de todas as garotas do campus, para, em seguida, derrubar os servidores da universidade e quase ser expulso. Naquele momento, em seu quarto em Harvard, a base para o Facebook havia nascido.”

Disponível em: http://www.estadao.com.br/noticias/tecnologia+link,uma-rede-global-com-elementos-locais,2861,0.shtm#

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