Clipping de Relações Internacionais

FAB inicia vôos de ensaio para escolha de novo caça

Posted in Américas, Segurança Nacional & Defesa by Ariel Boldrini on 30/03/2009

SÃO PAULO (Reuters)

A Força Aérea Brasileira inicia nesta segunda-feira a fase de visitas técnicas e vôos de ensaio com os caças finalistas do projeto FX-2, que definirá o novo caça de multiemprego que será usado para a renovação da frota da força.

Equipes de técnicos da Aeronáutica se dividirão para conhecer mais de perto os caças Rafale, da francesa Dassault; F-18 Super Hornet, da norte-americana Boeing; e Gripen NG, da sueca Saab. Os três modelos foram escolhidos em outubro como finalistas do programa.

De acordo com o Centro de Comunicação Social da Aeronáutica, a etapa de voos de ensaio e visitas técnicas faz parte da avaliação das ofertas apresentadas por cada uma das fabricantes. Após isso, as companhias poderão apresentar ofertas revisadas, e a expectativa da FAB é de que a escolha do novo caça seja feita até outubro deste ano.

A oferta inicial deve incluir a compra de 36 aeronaves. Nem a FAB nem as empresas divulgam valores, mas especula-se que o custo fique na casa dos 2 bilhões de dólares. O número de pedidos pode ser elevado para 100 unidades.

Uma das principais exigências do governo brasileiro para a compra dos novos caças é a transferência de tecnologia. Recentemente, uma declaração do ministro da Defesa, Nelson Jobim, sobre o programa FX-2 gerou polêmica.

Jobim deu a entender, em declarações ao programa “Bom Dia Ministro”, da Radiobrás, que permitiria que uma eventual nova proposta para a venda do caça russo Sukhoi SU-35 fosse analisada pela FAB. O SU-35 fora eliminado da disputa em outubro, junto com outros dois modelos.

Questionado pela Reuters, a assessoria de imprensa da FAB negou a inclusão do caça russo no processo de escolha. “Em nenhum momento o ministro disse que o processo seria alterado e em nenhum momento nós alteramos o processo”, disse a assessoria.

(Reportagem de Eduardo Simões)

  • Nota do Editor

Finalistas do F-X2

F/A-18E Super Hornet

Comparar o Super Hornet F/A-18E/F com o Hornet F/A-18C/D, é como comparar o A-29 Super Tucano com o T-27 Tucano. São aviões apenas parecidos exteriormente, mas na verdade, são totalmente diferentes em capacidade e poder de fogo.
O Super Hornet entrou em serviço em 1999 na Marinha dos EUA, para substituir o F-14 Tomcat. Ele opera ao lado dos antigos Hornet.
Em 2007, a Real Força Aérea da Austrália também selecionou o Super Hornet para substituir os F-111.
O F/A-18E/F é uma variante maior e mais avançada do F/A-18C/D. O conceito original do avião surgiu na década de 1980, comercializado pela McDonnell Douglas como Hornet 2000.
Mais tarde, o avião foi oferecido à US Navy para preencher a lacuna produzida pelo cancelamento do avião de ataque stealth A-12 Avenger II e pelo NATF, que seria uma versão navalizada do F-22.
O Super Hornet foi encomendado pela US Navy em 1992, porque precisava também substituir os velhos F-14 Tomcat e complementar os Hornet, até a chegada do F-35.

Dassault Rafale

Depois dos perfis do Saab Gripen e do Boeing F/A-18E Super hornet, chegou a vez de tratarmos do caça francês Dassault Rafale.  O avião é considerado o favorito do Programa F-X2 da FAB, embora não tenha obtido até hoje nenhuma vitória nas concorrências que participou.
Esse caça bimotor francês, que rivaliza com o Eurofighter Typhoon, surgiu como ACT (Avion de Combat tactique) e ACM (Avion de Combat Marine), destinado a substituir os Jaguars da Armée d l’Air e os Crusaders e Super Etendards da Aéronavale.
O primeiro vôo do protótipo demonstrador de tecnologia Rafale A aconteceu em 4 de julho de 1986, propulsado ainda por turbinas americanas GE F404, pois as turbinas francesas desenvolvidas para ele não tinham alcançado a maturidade requerida. Somente no início de 1990 é que aconteceu o primeiro vôo com uma turbina SNECMA M88.
Os protótipos Rafale C01 (monoplace para a Força Aérea), Rafale M01(monoplace naval), e Rafale B01 (biplace para a Força Aérea) voaram em maio de 1991, dezembro de 1991, e abril de 1993, respectivamente.
Uma célula de testes, na configuração Rafale M, foi entregue ao CEAT de Toulouse em 10 de dezembro de 1991, para testes de fadiga em terra. Entre aquela data e 2 de março de 1993, foram completados mais de 10.000 vôos simulados, incluindo 3.000 catapultagens e 3.000 pousos a bordo. A validação estrutural foi atingida em 15 de dezembro de 1993.
Inicialmente, o Rafale B era para ser apenas um treinador, mas as experiências da Guerra do Golfo e do Kosovo mostraram que um segundo tripulante é inestimável em missões de ataque e reconhecimento e, sendo assim, mais Rafale Bs foram encomendados, substituindo alguns Rafale Cs. Foi decidido que 60% dos aviões serão biplaces e a Aéronavale, que inicialmente não tinha encomendas de aeronaves de dois lugares, também quis obtê-los; a decisão, no entanto, foi posteriormente cancelada pela Marinha.

Gripen NG

Durante a Guerra Fria, as Forças Armadas suecas estavam se preparando para defender seu país contra uma possível invasão da União Soviética. Mesmo que a estratégia defensiva tivesse um princípio de proteção absoluta do território sueco, planejadores militares calcularam que poderiam eventualmente ser superados. Por essa razão, a Suécia tinha uma estratégia de dispersão de seus equipamentos militares por todo o país, a fim de manter a capacidade de infligir danos ao inimigo, mesmo que as principais bases militares fossem perdidas.
Sendo assim, dentro dos requisitos da Força Aérea Sueca, o Gripen foi um caça concebido para ser capaz de pousar e decolar de rodovias, ser reabastecido rapidamente, e decolar de volta para o combate. O Gripen pode ser reabastecido e rearmado em dez minutos, por uma equipe de cinco homens.
Na era pós-Guerra Fria, essa capacidade de dispersão do Gripen tem-se revelado de grande valia para operações expedicionárias.
O Gripen NG é uma versão melhorada, com motor mais potente, com maior capacidade de combustível, maior carga útil, aviônicos atualizados e outros melhoramentos. O protótipo foi apresentado em 23 de abril de 2008.
O novo Gripen NG (Next Generation) é propulsado por uma turbina GE/Volvo Aero F414G, uma evolução do motor do F/A-18E/F Super Hornet. Ele tem 20% a mais de empuxo (22.000 libras), permitindo a velocidade supercruise de Mach 1.1, armado com mísseis ar-ar.
Comparado com o Gripen D, o peso máximo de decolagem do Gripen NG aumentou de 14.000 para 16.000kg (30.900-35.300 lb), com um aumento de peso vazio de 200kg (440 lb).
Uma das críticas ao Gripen é a de que ele teria pouca autonomia. Mas devido à realocação do trem de pouso principal, a capacidade interna de combustível aumentou em 40%, resultando no aumento da autonomia de translado para 4.070 km (2.200 NMI). O raio de ação para combate aéreo (4 mísseis BVR, dois WVR e dois tanques) é de 1.300km. O nova configuração do trem de pouso também permite a adição de dois pilones sob a fuselagem.
A versão AESA do radar PS-05/A da aeronave fará o primeiro vôo de ensaio em meados de 2009.
Talvez pelo fato de ser monomotor, entre os finalistas do Programa F-X2, o Gripen NG é o que possui o menor custo de aquisição e o menor custo por hora de vôo, fatores que podem pesar na escolha do vencedor.
Outra vantagem do Gripen para a FAB é sua capacidade de operar em pistas mal preparadas e curtas. Ele pode decolar de pistas de 800m de comprimento e pousar em rodovias. Essa seria uma vantagem imensa para o emprego em táticas de dispersão e no deslocamento da aeronave para a Região Amazônica.
O Gripen está em serviço nas Forças Aéreas da Suécia, República Tcheca, Hungria, África do Sul e foi escolhido também pela Tailândia. Um total de 236 aeronaves já foram encomendadas.

Noticia na íntegra: Clique aqui

Relatório completo do F/A-18 Super Hornet: Clique aqui

Relatório completo do Dassault Rafale: Clique aqui

Relatório  do Gripen NG: Clique aqui

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3 Respostas

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  1. Márcio - São Paulo/SP said, on 14/02/2010 at 3:25

    O Comando da FAB optou em seu “relatório técnico” pelo Gripen por ser o caça mais barato para comprar e principalmente para manter. A FAB sabe (pois já sentiu na própria carne) que no Brasil não existe política de defesa. Descontinuidades (outro governo em breve pode estar no poder e depois de quatro anos, um outro governo diferente com novas prioridades) e cortes ou remanejamento orçamentário para as Forças Armadas são comuns e frequentes – e quase inevitavelmente, são previsíveis. Quem garante que os novos e ainda não comprados caças (seja o Gripen, o Rafale ou o Hornet) não ficarão em breve no chão por falta de recursos orçamentários para a FAB (como aliás, está ocorrendo com os velhos AF1 da Marinha)???? Assim, os oficiais da FAB estão pensando de forma pragmática: o Gripen é mais barato e portanto “mais garantido”, então pronto. Comparado com o F-18 Supre Hornet ou com o Rafale, o Gripem é realmente mais barato para a compra e também para manter. O caça suéco é realmente uma boa opção, mas para países que não tem uma área tão grande como o Brasil (mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados).
    Como um caça de tão baixa autonomia (como é o Gripen) poderia oferecer condições minimamente adequadas de defesa do vasto espaço aéreo brasileiro???? Seria necessário a compra de muitas unidades (uma centena, duas centenas, não sei) e colocá-los espalhados em diferentes grupos e bases pelo país afora para a defesa aérea minimamente eficaz. O custo de tal opção é altíssimo. O Gripen é inviável para um país do tamanho do Brasil em virtude de sua baixíssima autonomia. Como o “relatório técnico” da FAB não considerou este ponto crítico que é a baixa autonomia, portanto o pequeno raio de alcance do Gripen???? Só vejo uma resposta: a FAB não pretende garantir a defesa aérea efetiva com o Gripen em uma ampla área do espaço aéreo brasileiro – aliás, coisa que a FAB (não por culpa dela) nunca conseguiu fazer mesmo.
    Outro ponto fraco do Gripen: ele, assim como o Hornet, também tem aviônicos e sistema de armas norte-americanos. Se os yankes não fornecem equipamentos e armas modernas para os F-5 modernizados da FAB (modernizados com tecnologia israelense) por qual motivo forneceriam tais sistemas de armas e aviônicos modernos e avançados para os Gripen ou Hornet que a FAB venha adquirir???? É uma doce ilusão pensar que os norte-americanos fornecerão equipamentos de ponta para a FAB ou qualquer força aérea da América Latina.
    O Rafale apresenta problemas também: não é um sucesso de vendas (o Brasil comprando seria o primeiro além da própria França), é muito caro e tecnicamente complicado. Mas é mais sofisticado que os concorrentes Gripen e Hornet. A Dassault Aviation (fabricante) também é uma empresa que muitas vezes largou a FAB na mão com os antigos Mirage III. Os norte-americanos simplesmente são mais previsíveis que os franceses: já avisam antes que não fornecerão determinados equipamentos para o Gripen ou o Hornet e pronto. Mas os franceses são menos previsíveis e sua política externa é menos clara. Se o Brasil optar pelo Rafale quem garante que a França não fará o mesmo que fez com Israel nos anos 1970: suspender a venda de caças Mirage já pagos e interromper a transferência de tecnologia???? Este comportamento imprevisto e mesmo “pouco confiável” dos franceses, apesar de pouco provável (devido o quase desespero francês por não conseguir vender o Rafale a algum país) é possível. Durante a Guerra das Malvinas eles não entregaram aos britânicos os códigos fonte dos mísseis exocet argentinos???? Não só entregaram como também se não fosse a capacidade de alguns técnicos argentinos em decodoficar e desbloquear tais códigos, a Argentina não teria se quer conseguido lançar um único exocet contra os britânicos.
    Mas diante das opções oferecidas ao Brasil (F-18 Hornet, Gripen e Rafale), creio que o Rafale, apesar de ser uma aposta alta e incerta, é a melhor opção. Apostar no Gripen NG pode parecer mais prudente e confiável. Mas tal caça (Saab Gripen) não teria grande utilidade para um país com o espaço aéreo imenso como tem o Brasil.
    Outro ponto importante: tanto o Gripen como o Rafale como o F-18 em pouco tempo estarão definitivamente superados pelo F-22 Raptor norte-americano. É apenas uma questão de alguns poucos anos para o F-22 se torar totalmente operacional e equipar alguns esquadrões de caça da USAF.
    De qualquer forma o Brasil ainda estará um degrau abaixo. Mas acredito que o Rafale, diante das propostas oferecidas, seja a melhor opção, pois caso a parceria Brasil-França dê certo na área da transferência tecnológica para a construção do Rafale pela Embraer e mesmo no caso dos submarinos, o Brasil ganharia adquirindo novas tecnologias militares para a FAB e Marinha, além de também, para a indústria nacional. O Brasil poderia também ganhar um importante apoio francês em suas metas na política externa. A compra do Rafale poderia aproximar e estreitar as relações Brasil/França em um patamar nunca alcançado antes. Mas o risco é grande, a incerteza é maior e a aposta é alta. Com os norte-americanos e seus “sócios” suécos já sabemos o que não teremos. Com os franceses, não sabemos muito bem o que teremos.

    • Rodrigo Felismino said, on 15/02/2010 at 11:43

      Caro professor.
      Apenas um comentário à sua exposição: com bem destacou o professor Tullo Vigevani em seu artigo “Os militeres e a política externa brasileira: interesses e ideologia”, foi uma cooperação militar entre França e Brasil (Missão Militar Francesa), da década de 1920, que moldou a estrutura militar brasileira. Dessa cooperação nasceu uma doutrina militar que tinha como base base uma identidade entre o Estado nacional e a institucionalização da identidade do Exército, o que trouxe consequências para a nossa política nacional anos mais tarde.
      Essa parceria atual entre Brasil e França não se trata de uma inovação, mas sim de uma continuidade.

    • Djalma Fonseca said, on 21/03/2010 at 23:51

      Caro professor

      Alguns pontos a considerar as aeronaves atuais sofrem reabastecimento em vôo e vôos estratégicos não tem duração muito longa, apenas para as aeronaves de reconhecimento. Portanto este argumento da baixa autonomia não tem fundamento. O Gripen tem um conceito de leveza e agilidade no combate aéreo que são características bastante relevantes no engajamento direto.
      Depois os suecos estão dispostos a abrir todo o projeto Gripen, que é um desenvolvimento promissor, por isso é interessante do ponto de vista da nossa autonomia industrial a médio e longo prazo. Nos dará mais independência. A motorização do projeto é apenas um item, com pouca possibilidade de controle pelos americanos.
      Por outro lado temos experiência bastante grande com a Daussault e com a Helibrás para entender o que não é transferência de tecnologia.
      Sugiro que revise os seus argumentos, porque definitivamente as razões do Ministério da Defesa na escolha do Rafale, não são técnicas, nem políticas, mas me parecem um tanto excusas.


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